URBANIZAÇÃO SUSTENTAVEIS: Desafios e estratégias para um futuro resiliente frente às mudanças climáticas
This work aims to address the urbanization process and its relationship with climate change and to propose alternatives for smart urban development considering sustainable strategies to face climate change
RESUMO
A necessidade de urbanização surgiu a partir do advento da revolução industrial. A necessidade de grande quantidade de mão-de-obra para dar vazão à produção em massa originou a rápida urbanização, como um curso natural e transformou a natureza do estilo de vida humano de forma decisiva e permanente. Efeitos secundários não intencionais surgiram ao longo desse processo de significativo crescimento econômico e prosperidade, sendo as mudanças climáticas, devidas à emissão de carbono, um dos problemas que merecem maior destaque. As mudanças climáticas trazem vários desastres, como tufões, inundações e incêndios florestais, entre outros. A transição para estilos de vida urbanos, sem que sejam levadas em consideração as práticas sustentáveis, tem se configurado em uma das principais questões da atualidade. Este trabalho tem o objetivo de abordar o processo de urbanização e suas relações com as mudanças climáticas e propor alternativas de desenvolvimento urbano inteligente considerando estratégias sustentáveis para enfrentar as mudanças climáticas.
ABSTRACT
The need for urbanization arose from the advent of the industrial revolution. The need for substantial amounts of labor to give way to mass production gave rise to rapid urbanization as a natural course and transformed the nature of the human lifestyle decisively and permanently. Unintended side effects have arisen throughout this process of significant economic growth and prosperity, with climate change, due to carbon emissions, being one of the problems that deserve greater attention. Climate change brings various disasters, such as typhoons, floods, and wildfires, among others. The transition to urban lifestyles, without taking into account sustainable practices, has become one of the key issues of our time. This work aims to address the urbanization process and its relationship with climate change and to propose alternatives for smart urban development considering sustainable strategies to face climate change.
1 INTRODUÇÃO
Com o rápido desenvolvimento da industrialização e a evolução das sociedades humanas, hoje mais da metade da população mundial está habitando áreas urbanas, pela primeira vez na história da humanidade. Essa parcela urbana aumentará para quase 60% até 2030 e terá grandes chances de chegar a 70% até 2050 (ONU, 2007).
A urbanização, o processo que descreve o crescimento das cidades e a migração populacional para as áreas urbanas, empurra a necessidade de energia para que as cidades possam ser construídas e vidas possam ser alimentadas. Com a descoberta de óleos brutos e combustíveis fósseis, bem como a invenção de motores, datada desde a primeira Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, a poluição entra no palco da história humana.
No entanto, não é até o final do século XX que conceitos como proteção ambiental, efeito ilha tropical, gases de efeito estufa, energias limpas, sustentabilidade e prevenção de desastres chamaram a atenção. A rápida urbanização e os estilos de vida urbanos modernos criaram conveniência para a vida humana, mas também trazem mudanças climáticas graves e até desastrosas (ZHAO, 2010).
O uso tradicional de óleos brutos e combustíveis fósseis desempenha um papel importante no apoio ao desenvolvimento das indústrias e à urbanização. A queima de combustíveis fósseis libera grande quantidade de dióxido de carbono na atmosfera, o que retém o calor no meio ambiente e, eventualmente, leva a aquecimento.
Este é considerado um dos problemas mais graves das mudanças climáticas, uma vez que o aumento da temperatura global resulta em inúmeros desastres. O derretimento de icebergs provoca o aumento do nível do mar e acaba por trazer inundações e tufões tropicais; a alta temperatura em florestas relativamente secas leva a incêndios florestais.
As zonas urbanas são a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa e devem também assumir o papel de líderes mundiais na resolução dos problemas das alterações climáticas através do processo de mitigação da emissão desses gases (ARAOS et al., 2016).
A necessidade das cidades em se opor às mudanças climáticas tem se refletido em reuniões e acordos internacionais, como o Protocolo de Kyoto, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o Acordo de Paris, que concorda em manter o aquecimento global menos de 2°C acima do nível pré-industrial, e também a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
Diante de desastres naturais como as consequências das atividades humanas, é agora essencial e necessário explorar métodos e políticas de construção urbana sustentável de cidades para que se adaptem e retardem, se possível, as mudanças climáticas, e proponham estratégias de prevenção no tratamento de desastres naturais para desenvolver a urbanização globalmente.
O objetivo deste trabalho é abordar o tema da importância da necessidade do planejamento e da construção de cidades sustentáveis, bem como propor alternativas de solução para estratégias de desenvolvimento urbano com práticas sustentáveis.
2 DESENVOLVIMENTO
A ideia de sustentabilidade tem sido arrastada para a vanguarda da formulação de políticas à medida que toda a sociedade humana desperta para começar a enfrentar as consequências que as mudanças climáticas trouxeram e estarão continuamente impondo às nossas cidades e estilos de vida.
As consequências que estão ameaçando os sistemas construídos pelos seres humanos e os sistemas naturais existentes nas cidades urbanas são principalmente devido às mudanças climáticas e ao uso de energia baseada em combustíveis fósseis (LIAO et al., 2013).
O que torna a situação ainda mais grave é que as ameaças não são apenas das mudanças climáticas e dos usos de energia em si, mas também da omissão administrativa, da rápida expansão da urbanização e das crises socioeconômicas são várias fontes óbvias de incertezas (YIGITCANLAR, 2010).
Assim, a necessidade de desenvolver uma perspectiva de planejamento e desenvolvimento mais eficaz e resiliente é cada vez mais urgente, para que seja possível lidar com as enormes transformações que ambientes, cidades e sociedades vêm passando nas últimas décadas (PICKETT, CADENASSO, GROVE, 2004).
Para enfrentar esses desafios e resolver o problema das mudanças climáticas e da falta de sustentabilidade, alguns especialistas em todo o mundo consideram o desenvolvimento urbano sustentável como uma oportunidade viável para formar novos mecanismos para criar um futuro urbano desejável e ideal, com a sustentabilidade no centro (RUNHAAR, DRIESSEN, SOER, 2009).
O desenvolvimento urbano sustentável é definido como o processo de melhoria da qualidade de vida urbana, que consiste em aspectos como ambientais, ecológicos, sociais, políticos, culturais e econômicos, sem agravar a carga imposta às gerações futuras (FLINT, RACO, 2012).
Sustentabilidade, em essência, é presumir que os recursos são finitos para que as gerações futuras vivam uma vida abundante. Assim, desta forma, cidades urbanas sustentáveis estão sendo desenvolvidas e formadas com sucesso.
A sustentabilidade urbana está se tornando um tópico de debate cada vez mais visível no século XXI, especialmente na formulação de políticas urbanas, design e planejamento urbanos e tomada de decisões sobre desenvolvimento sustentável global. Nos anos mais recentes, a sustentabilidade mostra uma importância crítica através dos impactos adversos das atividades da sociedade, por exemplo, as mudanças climáticas.
Em uma sociedade na qual está aumentando a conscientização sobre as consequências negativas de decisões impensadas de desenvolvimento urbano caracterizadas pela negligência da sustentabilidade, esforços e considerações crescentes devem ser colocados na construção de futuras novas cidades urbanas que possam apoiar os objetivos de desenvolvimento de longo prazo das sociedades humanas. É comum e incorreto considerar a tecnologia como a causa de todos os problemas. No entanto, as respostas para os problemas de desenvolvimento urbano sustentável não devem ser buscadas apenas com base na disponibilidade tecnológica.
Pensamento crítico e introspecção nos dois lados das tecnologias devem ser ativos, pois está mais do que claro que o desenvolvimento tecnológico e a industrialização levaram às mudanças climáticas no século XXI. Embora no planejamento e design urbanos a tecnologia seja frequentemente aplicada e não se deva negar que foram percebidos seus potenciais em aumentar a eficiência e fornecer soluções alternativas, repensar o planejamento urbano sustentável é sempre essencial e deve estar sempre à frente da utilização da tecnologia.
A necessidade de proteger o ambiente da destruição ecológica como medida para alcançar a sustentabilidade é hoje um consenso relativamente comum. As cidades urbanas sustentáveis seriam uma das melhores soluções, uma vez que as áreas urbanas estão a ocupar cada vez mais território e a exercer fortes impactos ecológicos e, entretanto, comportam-se também como a proteção da economia, o que poderia ser impedido devido à implementação de novas políticas para facilitar a transição para um modo de vida sustentável. Infelizmente, a construção de cidades sustentáveis em grandes áreas urbanas ainda não é realizada.
Os recentes impactos das mudanças climáticas e eventos catastróficos relacionados em todo o mundo levantaram a preocupação de saber se o governo e as sociedades têm a capacidade de se adaptar às mudanças climáticas ou se a capacidade é limitada. Captou-se uma clara mudança de discussões científicas, desde a necessidade de adaptação até métodos de adaptação, e ainda quais obstáculos estão no caminho dos esforços adaptativos que estão sendo tentados e feitos (ADGER, BARNETT, 2009).
Discussões têm sido feitas em torno de grandes barreiras a serem resolvidas para fazer uma adaptação bem-sucedida e, no entanto, não há uma resposta universal e congruente. Alguns sugerem que as barreiras são os obstáculos que precisam ser superados por meio de esforço conjunto, gestão flexível, pensamento crítico e alocação sábia de recursos (RIJKE et al., 2012).
Embora seja indubitável que as barreiras sempre surgirão ao longo do caminho do esforço, e é suficiente concordar que a compreensão completa da natureza de tais barreiras à adaptação seria difícil devido ao fato de que os artigos existentes sobre tal tópico são altamente específicos da situação. Isso não indica que não valha a pena compreender a natureza das barreiras à adaptação.
Pelo contrário, é tão essencial como a própria elaboração de políticas de planejamento urbano sustentável, uma vez que podem surgir barreiras novas e imprevisíveis consideráveis ao longo do desenvolvimento de políticas e regulamentos de adaptação às alterações climáticas. Prever tais barreiras e problemas e resolvê-los antecipadamente seria um esforço valioso em termos de evitar consequências não intencionais da implementação de novas políticas.
O desenvolvimento urbano sustentável poderia ser referido a muitos aspectos sociais, afetando vários campos, incluindo o crescimento populacional, a transformação agrícola, o uso de energia, a alocação de recursos, a gestão da poluição, etc. Todos os fatores de sustentabilidade são igualmente importantes. O desenvolvimento para uma cidade sustentável implica estabelecer metas que atendam às necessidades dos valores ambientais, sociais e econômicos (MOSER, EKSTROM, 2010).
O processo de desenvolvimento e a respectiva formulação de políticas ao longo do caminho exigem mudanças constantes, dependendo das diferentes situações e problemas surgidos. O planejamento moderno de cidades sustentáveis com o objetivo de se adaptar às mudanças climáticas devem ser dinâmicas, com metas e estratégias iniciais claramente definidas.
O planejamento urbano sustentável e a construção devem ser facilitados com a consideração da quantidade de participação da comunidade, a conscientização do ambiente natural e, mais importante, o engajamento de funcionários governamentais e planejadores públicos.
O planejamento urbano sustentável deve considerar a cidade ou a região urbana como um todo ou como um sistema onde vários fatores interagem. Esta seção propõe vários fatores e métodos de implementação eficazes para alcançar o propósito de construção sustentável de cidades e adaptação às mudanças climáticas.
2.1 MEDIDAS PARA DESENVOLVIMENTO URBANO INTELIGENTE E SUSTENTÁVEL
2.1.1 Materiais recicláveis e energia renovável
Os resíduos já foram vistos como o fardo para as sociedades, especialmente após a evolução das cidades urbanas e a rápida urbanização. Em comparação com a era itinerante, os resíduos se acumulam nas cidades em vez de serem deixados para trás.
Os problemas surgem de resíduos industriais e domésticos e, eventualmente, levam a doenças devido à falta de higiene, más condições de vida e até mesmo epidemias em grande escala. Os aterros sanitários foram adotados e ainda hoje são um método comum para lidar com os dejetos humanos.
No entanto, evitar aterros sanitários e impor políticas com foco na reciclagem de materiais e no uso de energia limpa é um dos critérios mais importantes para construir cidades sustentáveis. A maioria dos resíduos, como os plásticos, leva décadas para se decompor na terra e traz produtos químicos tóxicos para a terra que acabam indo parar no abastecimento urbano de água.
Segundo IPEA (2020), em 2018 foram geradas 79 milhões de toneladas de Resíduos sólidos urbanos pelas cidades brasileiras e 92% desse total foi coletado, o que equivale a cerca de 72 milhões de toneladas. Desses, somente 43,3 milhões de toneladas (59,5%) do coletado, foi disposto em aterros sanitários.
O volume de 29,5 milhões de toneladas de resíduos, que representa 40,5% do total coletado, foi depositado de forma inadequada em lixões ou aterros controlados. É importante notar que cerca de 6,3 milhões de toneladas geradas ao ano continuam sem ao menos coleta, sendo depositadas sem controle, mesmo quando a legislação determina a destinação para tratamento e, em último caso, para aterros sanitários (IPEA, 2020).
Durante o tempo de decomposição, produtos químicos indesejáveis constantemente corroem o solo e prejudicam a agricultura; ocupam terras e espaços que, de outra forma, poderiam ser utilizados para criar valores sociais e económicos; a água poluída acaba permeando a produção industrial, a irrigação agrícola e a água potável diária.
Esses resíduos devem ser reciclados em vez de enterrados grosseiramente no subsolo para entrar em um novo ciclo de produção de valor e, ao mesmo tempo, evitar danos a longo prazo. A energia renovável segue a mesma lógica, já que a energia tradicional, como os combustíveis fósseis, é descartável, o que significa que o fornecimento constante de petróleo bruto é necessário para apoiar a funcionalidade das cidades, assim como os materiais tradicionais (por exemplo, plásticos) que acabaram no subsolo após serem usados.
A mudança para energia limpa renovável, por exemplo, solar, biomassa, hídrica, geotérmica e eólica, não apenas reduz drasticamente a emissão de carbono da queima de combustíveis fósseis, mas também resolve o problema do armazenamento finito de petróleo bruto. Parte decente da alocação governamental de orçamento, capital humano, recursos e políticas deve ser transferida para o desenvolvimento de sistemas de reciclagem de materiais e construção de energia renovável.
Segundo a norma da ABNT NBR10004 (2004), Resíduos sólidos são as matérias que se encontram nos estados sólidos e semissólidos, produtos estes resultantes de diversas atividades, sendo de origem hospitalar, comercial, doméstica, agrícola, serviço de varrição, entre outros, que quando dispensados de forma errada podem causar prejuízos ao meio ambiente. Entram nesta definição também os resíduos formados a partir de tratamentos de água ‚os famosos lodos, e alguns líquidos que quando lançados em mananciais de água, não tem como mais reverter o prejuízo, nem com as mais avançadas tecnologias existentes.
Portanto no que diz respeito a impactos ocasionados por resíduos sólidos, as atividades realizadas pelos seres humanos, tem sido a maior causa desta problemática, de modo que, cabe ao ser humano buscar meios para tentar minimizar a progressividade instantânea deste problema mundialmente conhecido. Os resíduos sólidos se classificam:
Quanto à composição química: sendo eles orgânicos, inorgânicos, poluentes orgânicos persistentes, poluentes orgânicos não persistentes;
Quanto ao tipo: reciclável e não reciclável ou rejeito;
Quanto à origem: sendo eles domiciliares, resíduo de limpeza urbana, resíduos sólidos urbanos, resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, resíduos dos serviços públicos de saneamento básico, resíduos industriais, resíduos de serviços de saúde, resíduos de construção Civil, resíduos agrossilvopastoris, resíduos de serviço de transportes, resíduos de mineração;
Quanto à periculosidade: resíduos perigosos (classe I), são aqueles que devido sua característica de inflamabilidade, apresenta o grande risco a saúde e ao meio ambiente, não inertes (classe II), são os resíduos que não apresenta perigo (DOS SANTOS GARCIA et al., 2015).
Para Nascimento (2015), um produto só pode ser considerado lixo, depois de esgotar todas as suas possibilidades de reaproveitamento. Os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) popularmente conhecidos como lixo, constituem os maiores causadores de impactos ambientais (SOUZA et al., 2018). Esta definição não é nova, pois os problemas ocasionados pelo lixo estão sendo muito discutidos nos últimos anos (DOS SANTOS GARCIA et al., 2015).
Sabe-se que quando o lixo é disposto de forma inadequada, possibilita uma série de impactos ao meio ambiente e aos seres vivos, como a contaminação do solo, e das águas tanto superficiais como subterrâneas (TEIXEIRA e SILVA, 2012).
A recente preocupação em relação aos plásticos se deve à ausência de degradabilidade, fechamento de aterros sanitários e incremento de problemas de poluição dos solos e das águas. Todos os dias, oito milhões de pedaços de plástico entram nos oceanos (DAMAYANTI, WU, 2021).
O processo de gestão de resíduos sólidos se inicia com a coleta seletiva, que assegura que uma quantidade maior de resíduos recicláveis seja reaproveitada, além de contribuir para que os resíduos não recicláveis sejam dispostos de forma ambientalmente adequada. A prática da coleta seletiva reduz os impactos ao meio ambiente e à saúde pública, funcionando como subproduto para algumas atividades industriais e como fonte de renda para trabalhadores. De acordo com a Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) N.º 275/2001, foi definido um código de cores para diferenciar os tipos de resíduos na coleta seletiva.
Conforme dos Santos Garcia et al. (2015), a coleta seletiva representa a maneira ecológica mais adequada para o descarte de lixo. Associado ao tema de educação ambiental e do desenvolvimento sustentável, a coleta seletiva evita a poluição do solo e das águas. A intenção é separar todos os resíduos, utilizando-os na reciclagem. Todos os cidadãos podem colaborar com a separação dos materiais seguindo a teoria dos 5 R’s, mostrada na figura a seguir.
Figura 1 – Teoria 5 R’s
Fonte: Elaboração própria com base em dos Santos Garcia et al (2015)
Os principais benefícios da coleta seletiva são a promoção da consciência ambiental dos cidadãos, a redução da contaminação do solo e da água e do desperdício dos recursos naturais não-renováveis, a promoção da reciclagem (reaproveitamento de materiais), a melhoria da economia (diminuição de custos de produção, geração de empregos, etc.), alívio e prolongamento da vida útil dos aterros sanitários.
A reciclagem do plástico pode ser feita adotando umas das seguintes técnicas: reciclagem mecânica, reciclagem química e bio reciclagem.
A reciclagem mecânica é o método mais comum para a reciclagem de PET, que envolve a coleta e trituração de produtos PET usados em pequenos pedaços, depois lavá-los e separá-los dos contaminantes e derretê-los para criar resina PET derretida. Os flocos PET limpos são então fundidos e moldados em novos produtos, como garrafas, fibras ou filmes. A reciclagem mecânica é um método econômico e energeticamente eficiente que pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa e conservar os recursos naturais (JEHANNO et al., 2022).
Também pode reduzir a quantidade de produtos PET que terminam em aterros sanitários ou oceanos, e contribuir para o desenvolvimento da economia circular. No entanto, tem várias limitações, como a qualidade e quantidade de produtos PET coletados e contaminação (MANCINI et al., 2010).
A reciclagem química é uma tecnologia emergente que utiliza reações para decompor produtos PET em seus monômeros, que podem ser utilizados para produzir novos produtos PET (BOHRE et al., 2023).
A reciclagem química pode sobrepor as limitações da reciclagem mecânica através da conversão de resíduos PET em matérias-primas de alta qualidade, como o ácido tereftálico purificado (PTA) e monoetilenoglicol (MEG). A reciclagem química também pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa e o consumo de energia em até 50% em comparação com a produção de PET virgem (SEVIGNÉ-ITOIZ et al., 2015).
No entanto, a reciclagem química requer equipamentos e profissionais especializados, e o processo pode ser caro e complexo. A reciclagem química do PET envolve a quebra das longas cadeias de moléculas PET nos seus monómeros individuais, que pode então ser usado para fazer novos PET ou outros produtos. O processo é dividido em várias etapas, que incluem despolimerização, purificação, repolimerização e conformação (KIM, LEE, PARK, 2022).
A bio reciclagem, também conhecida como reciclagem enzimática, é um novo método que usa enzimas para quebrar produtos PET em seus monômeros (GARCÍA, 2022). A Bio reciclagem pode superar as limitações da reciclagem mecânica e química através da produção de matérias-primas de alta qualidade que são idênticas ao PET virgem. A Bio reciclagem também pode reduzir a emissão de gases de efeito estufa e consumo de energia e aumentar a eficiência da reciclagem (KUMAR et al., 2023).
No entanto, a bio reciclagem ainda está nos estágios iniciais do desenvolvimento e requer mais pesquisa e otimização para ser comercialmente viável. O processo de bioreciclagem do PET envolve o uso de enzimas, que são catalisadores biológicos que podem quebrar o polímero para os seus monómeros constituintes. Este processo é dividido em várias etapas: coleta e triagem de resíduos PET, tamanho reindução, despolimerização enzimática, purificação e polimerização (HIRAGA, et al., 2019).
O processo de coleta e triagem envolve a triagem dos resíduos com base em sua cor, tipo e qualidade, enquanto a redução de tamanho envolve triturar os resíduos em pequenos pedaços para aumentar sua área de superfície e degradação enzimática do cilitato. A despolimerização produz uma mistura de monômeros e oligômeros, que precisam ser separados e purificados.
A polimerização produz um novo PET, que pode ser usado para produzir vários produtos como garrafas, filmes e fibras. Bio reciclagem de PET é uma abordagem promissora para reduzir o impacto ambiental dos resíduos do plástico, pois não necessitam de combustíveis fósseis e podem reciclar até mesmo resíduos PET de qualidade. Também produz monômeros de alta qualidade que podem ser usados para produzir PET novo com propriedades semelhantes ao PET virgem.
2.1.2 Transporte sustentável
O transporte, como outro importante indicador que sugere funcionalidade e sustentabilidade de uma área urbana e dos moradores da cidade, deve ser concebido como diverso, organizado e ecologicamente correto, com foco no desenvolvimento do transporte público.
Para alcançar a sustentabilidade, é necessário que uma cidade seja capaz de fornecer aos seus cidadãos vários padrões de tráfego: caminhadas, passeios de bicicleta, carros e transportes públicos. Transportes diversificados garantem uma sociedade capaz de expandir suas funções, explorar seus potenciais e facilitar que seus cidadãos alcancem objetivos econômicos e financeiros de curto e longo prazo.
Além disso, os transportes ideais permitem que os cidadãos vivam uma vida de forma conveniente para garantir ainda mais as interações sociais desejáveis. Transportes diversos não apenas combinam valores econômicos e sociais, mas, mais importante, garantem a flexibilidade para fazer escolhas.
Em uma cidade com transportes desequilibrados, com transportes públicos pouco desenvolvidos, os cidadãos são forçados a escolher o deslocamento para o local de trabalho de carro. Uma maior emissão de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, seria inevitável, em comparação com cidades com sistema de transporte público maduro e sabiamente organizado.
2.1.3 Alocação de recursos e espaço
É preciso distribuir sabiamente e de acordo com cada uma das funções urbanas, em várias partes da cidade. O espaço deve incluir todas as funções necessárias para viver, como moradia, educação, assistência médica, obras, recreação e etc. A alocação sábia de recursos também é garantir que todos os objetivos, fatores e políticas feitas para a construção de áreas urbanas sustentáveis sejam capazes de alcançar de forma eficiente e sem atrasos.
2.1.4 Estratégias de proteção contra desastres
As estratégias de prevenção e a preparação para situações de emergência não estão maduras na maioria dos países e das autoridades quando enfrentam as consequências das alterações climáticas, por exemplo, catástrofes naturais como tufões e chuvas intensas.
Se faz necessária a discussão de tais estratégias e políticas que são capazes de prevenir a ocorrência de desastres e também garantir a segurança das cidades e dos cidadãos dentro da chegada de uma catástrofe imparável.
Climas anormais e desastres naturais tornaram-se mais frequentes e graves em todo o mundo nos últimos anos. Chuvas fortes e inundações, nevoeiro e neblina, incêndios florestais e poluição do ar afetam os sistemas urbanos e ameaçam a vida das pessoas de forma séria e diferente (CEPED, UFSC, 2016).
Existem vários princípios importantes sobre estratégias de prevenção de desastres. Tais estratégias precisam ser rápidas e simultâneas na resposta ao desastre, e devem mostrar sua capacidade de ser usadas facilmente por muitas pessoas em um tempo relativamente curto, independentemente da capacidade de linguagem e das condições físicas dos usuários. Com a chegada de desastres naturais, deve-se revelar uma estabilidade completa em termos de material e estruturas, para que se possa garantir que danos secundários sejam evitados após a implementação das estratégias.
Finalmente, as estratégias e políticas de prevenção de desastres devem ser facilmente utilizadas por um longo tempo e ter sua continuidade, caso contrário, devem ser atualizadas regularmente pelas autoridades e, ao mesmo tempo, educar as estratégias atualizadas para todos os cidadãos e moradores da cidade (FREITAS et al., 2014).
As estratégias podem ser categorizadas em prevenção, preparação, resposta e recuperação. As estratégias de prevenção são utilizadas para suprimir a ocorrência de catástrofes por meio da eliminação ou redução das causas do desastre e contemplam aviso de área de desastre, mapa de desastres, instalações de segurança, equipamento de investigação de grau de segurança.
A preparação refere-se ao planejamento, preparação e sua educação e publicidade antes que o desastre real ocorra para que a capacidade de combate aos desastres seja aprimorada. Exercícios, simulações e modificações devem ser implementados nesta categoria, que prevê instalações de evacuação, campo de refugiados, simulações de desastres, sistema de alarme de emergência, sistema de investigação de danos.
A resposta é um tipo de projeto que ajuda a reduzir os impactos e danos de possíveis desastres secundários após a ocorrência de catástrofes naturais, prevendo, prevendo e alocando sabiamente os recursos e os capitais humanos existentes, utilizando instalações de guia de emergência, equipamento de comunicação de emergência, abrigo de evacuação urgente, suprimentos médicos de emergência, fontes de energia de emergência.
A recuperação refere-se a atividades que recuperam comunidades, interações sociais, higiene e todas as situações relevantes como antes do desastre e contempla abrigos, insumos para prevenção de epidemias, programa de cura física e psicológica, controle da poluição (SORIANO, 2009).
3 CONCLUSÃO
O desenvolvimento da sociedade humana desde o início da Revolução Industrial libertou grande quantidade de população da armadilha da pobreza e da fome. Sua contribuição para o crescimento econômico e a prosperidade da sociedade nunca deve ser posta em dúvida, enquanto as consequências não intencionais e os problemas que surgem da urbanização, bem como ao longo do caminho da industrialização, também se colocam como os obstáculos na evolução urbana de longo prazo.
Para evitar o esgotamento das potencialidades, é necessário um planejamento urbano e construtivo sustentável para se adaptar às mudanças climáticas, efeito desastroso da urbanização e da industrialização. Enquanto isso, também é necessário preparar estratégias de prevenção de desastres para que haja métodos disponíveis na chegada de desastres naturais e a prevenção de perdas possa ser alcançada.
A recuperação e reciclagem de resíduos sólidos urbanos ainda é um desafio para os municípios brasileiros e outras cidades de países em desenvolvimento. Em 2021, apenas 32% dos municípios brasileiros possuíam sistema de coleta seletiva de recicláveis, com recuperação de 1,7% do total de resíduos sólidos urbanos coletados naquele ano (SNIS, 2022).
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece que a ordem de prioridade na gestão de resíduos é a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada. No entanto, a maior parte dos resíduos recolhidos é direcionada para aterros e lixões, resultando em diversos impactos ambientais e sociais.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (MMA, 2022) estabelece como meta a redução dos resíduos enviados para aterros sanitários e a eliminação de lixões, visando recuperar 48% dos resíduos sólidos urbanos gerados no Brasil até 2040. O aumento da reciclagem de resíduos é essencial para reduzir os impactos ambientais causados pela disposição inadequada e aumentar a vida útil dos aterros sanitários.
Para atingir esse objetivo, os municípios deverão estruturar e implementar sistemas de coleta seletiva e desenvolver programas de educação ambiental para apoiar e garantir a continuidade desses sistemas. Os municípios brasileiros apresentam diferenças significativas na capacidade técnica, econômica e de gestão para implementar a coleta seletiva. Das 5.568 cidades do Brasil, 67,4% têm até 20 mil habitantes e 43,1% têm 10 mil habitantes ou menos. Esses pequenos municípios apresentam, muitas vezes, menos recursos e estruturas de gestão mais frágeis, exigindo, portanto, estratégias de gerenciamento de resíduos diferentes das implementadas em municípios maiores (IBGE, online).
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