Transformação Digital e Empoderamento Urbano: Explorando o Futuro das Cidades Inteligentes.

Digi­tal Trans­for­ma­ti­on and Urban Empower­ment: Explo­ring the Futu­re of Smart Cities.

RESUMO

O sécu­lo XXI está sen­do mar­ca­do por duas ten­dên­ci­as mui­to for­tes. A pri­mei­ra é a revo­lu­ção digi­tal, que cri­ou uma soci­e­da­de alta­men­te conec­ta­da e cola­bo­ra­ti­va, o que tem trans­for­ma­do as rela­ções entre as pes­so­as. A segun­da é o for­te movi­men­to de empo­de­ra­men­to das cida­des, que pas­sam a ter cada vez mais auto­no­mia, prin­ci­pal­men­te no que diz res­pei­to à con­du­ção da inclu­são digi­tal de seus cida­dãos. As cida­des inte­li­gen­tes sur­gem do encon­tro des­sas duas ten­dên­ci­as, com o obje­ti­vo de supe­rar os desa­fi­os do pas­sa­do e con­quis­tar o futu­ro, uti­li­zan­do a tec­no­lo­gia como  um meio para aten­der de for­ma mais efi­ci­en­te os ser­vi­ços urba­nos e melho­rar a qua­li­da­de de vida dos cida­dãos. Uma vez que o con­cei­to de cida­de inte­li­gen­te ain­da não é uni­for­mi­za­do, as ini­ci­a­ti­vas são diver­sas e apre­sen­tam dife­ren­tes níveis de com­ple­xi­da­de de imple­men­ta­ção, envol­ven­do em alguns casos um esfor­ço neces­sá­rio de cola­bo­ra­ção entre setor públi­co, pri­va­do e cida­dãos. Este tra­ba­lho tem o obje­ti­vo de explo­rar as pers­pec­ti­vas das cida­des inte­li­gen­tes fren­te à rea­li­da­de da era de trans­for­ma­ção digital.

ABSTRACT

The 21st cen­tury is being mar­ked by two very strong trends. The first is the digi­tal revo­lu­ti­on, whi­ch has cre­a­ted a highly con­nec­ted and col­la­bo­ra­ti­ve soci­ety, whi­ch has trans­for­med rela­ti­onships betwe­en peo­ple. The second is the strong move­ment for the empower­ment of citi­es, whi­ch have more and more auto­nomy, espe­ci­ally with regard to the con­duct of digi­tal inclu­si­on of their citi­zens. Smart citi­es emer­ge from the mee­ting of the­se two trends, with the aim of over­co­ming the chal­len­ges of the past and con­que­ring the futu­re, using tech­no­logy as a means to more effi­ci­en­tly ser­ve urban ser­vi­ces and impro­ve the qua­lity of life of citi­zens. Sin­ce the con­cept of the smart city is not yet stan­dar­di­zed, the ini­ti­a­ti­ves are diver­se and have dif­fe­rent levels of imple­men­ta­ti­on com­ple­xity, in some cases invol­ving a neces­sary effort of col­la­bo­ra­ti­on betwe­en the public, pri­va­te and citi­zens sec­tors. This work aims to explo­re the pers­pec­ti­ves of smart citi­es in the face of the rea­lity of the digi­tal trans­for­ma­ti­on era.

1 INTRODUÇÃO

A ges­tão muni­ci­pal e a vida dos cida­dãos serão for­te­men­te impac­ta­das pelo adven­to das cida­des inte­li­gen­tes. No Bra­sil, mui­tas cida­des his­to­ri­ca­men­te enfren­tam  desa­fi­os  de  segu­ran­ça,  saú­de, edu­ca­ção,  sane­a­men­to  bási­co,  habi­ta­ção  e  desi­gual­da­de soci­al. A cons­tru­ção de uma cida­de inte­li­gen­te deman­da con­si­de­rar alter­na­ti­vas que apre­sen­tem solu­ções para esses  problemas.

Para­le­la­men­te, as alter­na­ti­vas pro­pos­tas devem enfren­tar os  novos  desa­fi­os  e  a  dinâ­mi­ca das cida­des moder­nas, tais como mobi­li­da­de, sus­ten­ta­bi­li­da­de e socio diver­si­da­de, rumo a um futu­ro com mai­or qua­li­da­de de vida para os seus habi­tan­tes, levan­do em con­ta ações como requa­li­fi­ca­ção de áre­as urba­nas, ilu­mi­na­ção  e  sema­fo­ri­za­ção  inte­li­gen­te,  incen­ti­vos  ao desen­vol­vi­men­to da eco­no­mia cri­a­ti­va, espa­ços de cowor­king  e ações de incen­ti­vo a star­tups, par­ti­ci­pa­ção ele­trô­ni­ca, dados aber­tos, moder­ni­za­ção admi­nis­tra­ti­va, Cen­tros de Con­tro­le de Ope­ra­ções (CCO), moni­to­ra­men­to ambi­en­tal, big data, uso de dados  de  celu­la­res  para  polí­ti­cas  públi­cas,  bici­cle­ta  públi­ca, estru­tu­ra para car­ros elé­tri­cos, e mui­tas outras.

Já exis­tem expe­ri­ên­ci­as des­se tipo em fun­ci­o­na­men­to atu­al­men­te, que repre­sen­tam somen­te  o  come­ço  de  um  novo  con­cei­to. A incor­po­ra­ção de tec­no­lo­gia no gover­no muni­ci­pal não é uma novi­da­de. Entre­tan­to, fal­ta uma visão hori­zon­tal e inter­se­to­ri­al na ges­tão das cida­des para faci­li­tar a siner­gia entre dife­ren­tes áre­as  de  polí­ti­cas  públi­cas  e  pro­pi­ci­ar  a  cola­bo­ra­ção  do cida­dão na cons­tru­ção da cida­de inteligente. 

O con­cei­to de cida­de inte­li­gen­te ain­da é de pou­co conhe­ci­men­to do cida­dão bra­si­lei­ro.  Porém, quan­do é per­gun­ta­do sobre o tema, mani­fes­ta o  dese­jo  de  que  a  cida­de inte­li­gen­te pos­sa con­tri­buir para a melho­ria da qua­li­da­de de vida e dos ser­vi­ços públi­cos e que redu­za o impac­to nega­ti­vo sobre o meio ambi­en­te, aumen­tan­do  a trans­pa­rên­cia da  ges­tão  muni­ci­pal. Em  geral, os cida­dãos asso­ci­am o con­cei­to a uma tec­no­lo­gia para cri­ar uma  cida­de  efi­ci­en­te,  fun­ci­o­nal  e  inovadora. 

Tam­bém é espe­ra­do pelos cida­dãos que a admi­nis­tra­ção públi­ca, prin­ci­pal­men­te a local, exer­ça o papel de lide­ran­ça na cons­tru­ção da cida­de inte­li­gen­te e que este­ja aten­ta  às  deman­das que  sur­gem  nas dife­ren­tes áreas. 

Cada cida­de pos­sui um está­gio de evo­lu­ção espe­cí­fi­co em fun­ção do seu pon­to de par­ti­da  e  das  deman­das da cida­da­nia local.  Ape­sar dis­so, qua­tro está­gi­os de evo­lu­ção rumo à implan­ta­ção de uma cida­de inte­li­gen­te podem ser des­ta­ca­dos, con­for­me mos­tra­do no qua­dro a seguir (DELOITTE, 2019).

 Qua­dro  SEQ Qua­dro \* ARABIC 1 – Fases da implan­ta­ção de uma cida­de inteligente

Fon­te: Ela­bo­ra­do com base em DELOITTE (2019)

Para con­se­guir avan­çar nos está­gi­os de imple­men­ta­ção de cida­des inte­li­gen­tes, é neces­sá­rio supe­rar  dife­ren­tes  bar­rei­ras.  Cada  cida­de terá  seu  pró­prio  rol de desa­fi­os, em fun­ção de sua iden­ti­da­de, his­tó­ria, geo­gra­fia e cul­tu­ra. Mas pode-se iden­ti­fi­car um con­jun­to de pro­ble­mas comuns.  Os  espe­ci­a­lis­tas  apon­tam  seis  fren­tes  de  tra­ba­lho para pas­sar da estra­té­gia à exe­cu­ção, con­for­me mos­tra­do na figu­ra a seguir.

Figu­ra  SEQ Figu­ra \* ARABIC 1 – Fren­tes de tra­ba­lho para exe­cu­ção das cida­des inteligentes

Fon­te: Ela­bo­ra­do com base em DELOITTE (2019)

2 DESENVOLVIMENTO

Con­for­me mos­tra­do na figu­ra 1, são apon­ta­das pelos espe­ci­a­lis­tas seis fren­tes de tra­ba­lho para pas­sar da estra­té­gia à exe­cu­ção da implan­ta­ção das cida­des inteligentes.

2.1 FRENTES DE TRABALHO PARA EXECUÇÃO DAS CIDADES INTELIGENTES

O estu­do publi­ca­do em 2016 por Cunha, Przey­bi­lo­vicz, Macaya e Bur­gos sobre a trans­for­ma­ção digi­tal das cida­des, ante­ci­pa a publi­ca­ção da Deloit­te (2019) e des­cre­ve as seis fren­tes de tra­ba­lho para pas­sar do pla­ne­ja­men­to de cida­des inte­li­gen­tes para a imple­men­ta­ção. Essas fren­tes são deta­lha­das a seguir. 

2.1.1 Lide­ran­ça

Asse­gu­rar uma lide­ran­ça cla­ra e uma ges­tão com  capa­ci­da­de de exe­cu­ção e com visão trans­ver­sal das ações defi­ni­das. Os espe­ci­a­lis­tas con­cor­dam na lide­ran­ça essen­ci­al do pre­fei­to, que defi­ne a agen­da e alo­ca recursos. 

Tam­bém é pre­ci­so pro­mo­ver uma ges­tão mais trans­ver­sal que faci­li­te as siner­gi­as entre ser­vi­ços, e uma gover­nan­ça anco­ra­da na soci­e­da­de, que se sus­ten­te para além do tem­po de uma ges­tão muni­ci­pal (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.1.2 Visão 

Ter uma visão com­par­ti­lha­da e con­sen­su­al de cida­de e um pla­no de ação de lon­go pra­zo. Difi­cil­men­te a cida­de se trans­for­ma no pra­zo do man­da­to de um pre­fei­to. É neces­sá­rio bus­car con­sen­so numa visão de lon­go pra­zo que per­mi­ta ultra­pas­sar bar­rei­ras que, no cur­to pra­zo,  podem  pare­cer  insu­pe­rá­veis  (como  o  inves­ti­men­to em infra­es­tru­tu­ra). O cida­dão sem­pre deve estar no cen­tro, cola­bo­ran­do e par­ti­ci­pan­do (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.1.3 Rela­ções público-privado 

Esta­be­le­cer um novo mode­lo de rela­ções entre admi­nis­tra­ção públi­ca e empre­sas,  ampa­ra­do  em um  mar­co legal  aumen­ta­do  ou  modi­fi­ca­do  que  faci­li­te a inte­gra­ção dos ser­vi­ços, o desen­vol­vi­men­to de for­mas de rela­ci­o­na­men­to de lon­go pra­zo, bem como a incor­po­ra­ção de  “paga­men­to  por  ser­vi­ço”  base­a­do  em  métri­cas de  resul­ta­dos,  indo  além  do  mode­lo  atu­al  em  que  se com­pro­me­te um volu­me fixo de recur­sos para a pres­ta­ção de cada ser­vi­ço (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.1.4 Solu­ção tecnológica 

Incor­po­rar uma solu­ção tec­no­ló­gi­ca aber­ta e padro­ni­za­da, hori­zon­tal, Inter ope­rá­vel e com esca­la­bi­li­da­de.  A  fle­xi­bi­li­da­de é  con­di­ção  sine  qua  non para inte­grar os sis­te­mas seto­ri­ais em uma pla­ta­for­ma de ges­tão da  cida­de, que  apor­te inte­li­gên­cia e seja capaz de dina­mi­zar a rela­ção com cida­dãos e empre­sas (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.1.5 Finan­ci­a­men­to 

Pro­mo­ver mode­los de finan­ci­a­men­to com par­ti­ci­pa­ção pri­va­da. Bus­ca-se um avan­ço mais rápi­do na melho­ria dos ser­vi­ços e incor­po­ra­ção de capa­ci­da­des e conhe­ci­men­tos que os muni­cí­pi­os podem não pos­suir (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.1.6 Mode­los de negócios 

Desen­vol­ver mode­los de negó­ci­os sus­ten­tá­veis e  com retor­no para todos os agen­tes envol­vi­dos.  A cap­tu­ra  dos  bene­fí­ci­os  de  uma  cida­de inte­li­gen­te requer que os dife­ren­tes ser­vi­ços que a for­mam se man­te­nham ao lon­go do tem­po. As pla­ta­for­mas de cida­de inte­li­gen­te geram infor­ma­ções vali­o­sas que per­mi­tem a evo­lu­ção dos mode­los de negó­ci­os em duas direções:

Melho­rar  a  ges­tão  da  cida­de  em  rela­ção  aos  ser­vi­ços geren­ci­a­dos com base em indi­ca­do­res de uti­li­za­ção, sen­do estes de qua­li­da­de ou de eco­no­mia de recur­sos, para mai­or efi­ci­ên­cia e retor­no sobre o investimento.

A  dis­po­ni­bi­li­za­ção  de  infor­ma­ções  a  ter­cei­ros  (dados aber­tos), para a cri­a­ção de mode­los base­a­dos na eco­no­mia cola­bo­ra­ti­va e no empre­en­de­do­ris­mo. É a eco­no­mia base­a­da nos dados (eco­nomy of data). (CUNHA, PRZEYBILOVICZ, MACAYA e BURGOS, 2016).

2.2 FATORES QUE DEMANDAM ATENÇÃO PARA EXCUÇÃO DAS CIDADES INTELIGENTES

O cres­ci­men­to popu­la­ci­o­nal resul­tan­te do pro­ces­so de urba­ni­za­ção sem pla­ne­ja­men­to ade­qua­do gerou uma série de pro­ble­mas soci­ais nas cida­des, como aces­so à mora­dia, vio­lên­cia, desem­pre­go e exclu­são soci­al. Nes­se con­tex­to, sur­gem ques­tões de aces­si­bi­li­da­de com des­ta­que, prin­ci­pal­men­te con­si­de­ran­do o aumen­to da cons­ci­en­ti­za­ção das pes­so­as pela igual­da­de de direitos. 

O uso da tec­no­lo­gia for­ne­ce uma revi­são des­se pro­ble­ma, aju­dan­do não ape­nas em ques­tões como a aces­si­bi­li­da­de, mas sobre­tu­do no sen­ti­do de tor­nar as cida­des mais huma­nas e inte­li­gen­tes. A par­tir des­se con­tex­to, este tra­ba­lho teve como obje­ti­vo cons­truir um arte­fa­to tec­no­ló­gi­co para miti­gar o pro­ble­ma e pro­pa­gar infor­ma­ções sobre aces­si­bi­li­da­de. Os fun­da­men­tos são base­a­dos em con­cei­tos de crowd­sen­sing e cida­des inte­li­gen­tes e usam o méto­do de pes­qui­sa de design. As téc­ni­cas de cole­ta de dados inclu­em ques­ti­o­ná­ri­os fecha­dos, entre­vis­tas e dados ico­no­grá­fi­cos. Como resul­ta­do, apre­sen­ta­mos um apli­ca­ti­vo que pode ser usa­do em um com­pu­ta­dor ou smartpho­ne, ati­va ou pas­si­va­men­te (ALPERSTEDT NETO, ROLT, ALPERSTEDT, 2018).

Novas tec­no­lo­gi­as podem auxi­li­ar na loco­mo­ção e na redu­ção de pro­ble­mas soci­ais (ALPERSTEDT NETO; ROLT; ALPERSTEDT, 2018), como: os apli­ca­ti­vos de ver­são móvel dos ban­cos — resol­vem os pro­ble­mas de pes­so­as com mobi­li­da­de redu­zi­da que sofrem indo ao ban­co pela má ins­ta­la­ção urba­na e com a che­ga­da des­ses apli­ca­ti­vos não há mais a neces­si­da­de da pre­sen­ça físi­ca no banco. 

Além dis­so, por meio da tec­no­lo­gia, sur­ge a pos­si­bi­li­da­de de apri­mo­rar a infra­es­tru­tu­ra de espa­ços públi­cos, para assim, ampli­ar a auto­no­mia e faci­li­tar a vida coti­di­a­na das pes­so­as com deficiência.

2.2.1 Legis­la­ção e polí­ti­cas públicas 

A Cons­ti­tui­ção Fede­ral do Bra­sil de 1988 tra­ta da ciên­cia, tec­no­lo­gia e ino­va­ção em capí­tu­lo pró­prio, den­tro do títu­lo refe­ren­te à  HYPERLINK “http://direitoconstitucional.blog.br/category/ordem-social/” \t “_blank” ordem soci­al. A  HYPERLINK “http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc85.htm” \t “_blank” Emen­da Cons­ti­tu­ci­o­nal nº 85/2015 deu novo tex­to a vári­os dis­po­si­ti­vos des­te capí­tu­lo, refor­çan­do sua valo­ri­za­ção e dan­do espe­ci­al des­ta­que à inovação.

A Emen­da Cons­ti­tu­ci­o­nal nº 85/2015 alte­rou o caput do art. 218 para incluir o ter­mo “ino­va­ção”, a ser pro­mo­vi­da e incen­ti­va­da pelo Esta­do jun­ta­men­te com a ciên­cia, a pes­qui­sa e a tecnologia.

Essa alte­ra­ção trou­xe uma nova pers­pec­ti­va para o desen­vol­vi­men­to econô­mi­co do país, que inclui a bus­ca por novos pro­du­tos, ser­vi­ços, pro­ces­so e solu­ções, e a popu­la­ri­za­ção e o incen­ti­vo à ciên­cia, com vis­tas à pros­pe­ri­da­de nacional.

Para isto, ela ampli­ou as pos­si­bi­li­da­des de apoio finan­cei­ro do poder públi­co nes­tas áre­as, como des­ta­que para as ati­vi­da­des de pes­qui­sa, de exten­são e de estí­mu­lo e fomen­to à ino­va­ção rea­li­za­das por uni­ver­si­da­des e/ou por ins­ti­tui­ções de edu­ca­ção pro­fis­si­o­nal e tec­no­ló­gi­ca (art. 213, § 2º, da Constituição).

Segun­do um docu­men­to do Tri­bu­nal de Con­tas da União (2015), ain­da exis­tem milhões de bra­si­lei­ros que nun­ca tive­ram aces­so a um com­pu­ta­dor ou a inter­net. Con­se­quen­te­men­te, há uma pri­va­ção de opor­tu­ni­da­des no mun­do do tra­ba­lho, aces­so a novos con­teú­dos cul­tu­rais, bem como novas for­mas de cida­da­nia, pois são exi­gi­das novas capa­ci­da­des na Soci­e­da­de Infor­ma­ci­o­nal (BRASIL, 2015).

Por mais que o tema da inclu­são digi­tal tenha entra­do na agen­da do Esta­do em anos pos­te­ri­o­res, a pre­o­cu­pa­ção e os inves­ti­men­tos em Polí­ti­cas Públi­cas de Inclu­são Digi­tal só foram acon­te­cer de for­ma efe­ti­va e poten­ci­a­li­za­da recentemente. 

Entre 2003 e 2006, foram cri­a­das em tor­no de 13 Polí­ti­cas Públi­cas de Inclu­são Digi­tal em dife­ren­tes ins­tân­ci­as gover­na­men­tais, des­ti­na­dos a públi­cos-alvo dife­ren­ci­a­dos. Sen­do ao todo 22 polí­ti­cas públi­cas de inclu­são digi­tal cri­a­das ou man­ti­das pelo gover­no, envol­ven­do nove minis­té­ri­os e qua­tro empre­sas públicas

Atu­al­men­te, o pro­ble­ma da inclu­são digi­tal se trans­for­mou em uma pre­o­cu­pa­ção mun­di­al, inclu­si­ve pela Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das – ONU, que cri­ou a União Inter­na­ci­o­nal de Tele­co­mu­ni­ca­ção – UIT. 

Segun­do dados da ONU, em 2015, exis­tia, no mun­do, 3,5 bilhões de pes­so­as conec­ta­das. Toda­via, ape­sar do avan­ço exis­tem, ain­da, 4 bilhões de pes­so­as fora da inter­net. Em 2000, esse qua­dro era de 400 milhões de usuá­ri­os, cor­res­pon­den­do a 6,5% da popu­la­ção mun­di­al. Dados mais recen­tes demons­tram que, no Bra­sil, esse núme­ro che­gou a 43% em 2015, mas que ain­da exis­te um gran­de abis­mo soci­al no que se refe­re à inclu­são digi­tal (ONU, 2015).

2.2.2 Tec­no­lo­gia e admi­nis­tra­ção pública 

Ten­do em vis­ta o gran­de uso das Tec­no­lo­gi­as da Infor­ma­ção e Comu­ni­ca­ção (TIC) no mun­do atu­al e per­ce­ben­do sua gra­du­al par­ti­ci­pa­ção nos gover­nos em suas diver­sas esfe­ras, a fim de se imple­men­tar as cida­des inte­li­gen­tes, deve-se pro­por uma agen­da para a pes­qui­sa no uso e nas impli­ca­ções soci­ais das Tec­no­lo­gi­as de Infor­ma­ção e Comu­ni­ca­ção pelos gover­nos no Bra­sil (LIMA, 2018).

Para tal, a “gover­nan­ça ele­trô­ni­ca” – ou tam­bém conhe­ci­do como e‑governança (defi­ni­do pela Unes­co como o que se refe­re ao exer­cí­cio de auto­ri­da­de polí­ti­ca, econô­mi­ca e admi­nis­tra­ti­va nos assun­tos de uma país, incluin­do a arti­cu­la­ção dos cida­dãos para a defe­sa de seus inte­res­ses e o exer­cí­cio de seus direi­tos e obri­ga­ções), é divi­di­da em três subtemas:

e‑administração

e‑serviços públi­cos

e‑democracia

Segun­do Cunha e Miran­da (2013), a e‑administração é o con­cei­to mais anti­go e mais popu­lar na prá­ti­ca do setor públi­co, tan­to que há vári­os pro­je­tos desen­vol­vi­dos no país tan­to na área de ges­tão como na de polí­ti­cas públi­cas, as quais são auxi­li­a­das por dis­po­si­ti­vos tecnológicos. 

A e‑administração públi­ca pres­su­põe uma melho­ria dos pro­ces­sos gover­na­men­tais e do tra­ba­lho inter­no do setor públi­co com a uti­li­za­ção das tec­no­lo­gi­as de infor­ma­ção e comu­ni­ca­ção (CUNHA; MIRANDA, 2013). 

Já o e‑serviços públi­cos, que em suma são uma pres­ta­ção de ser­vi­ços atra­vés de por­tais digi­tais, como por­tais gover­na­men­tais e cen­trais de aten­di­men­to, pre­vê uma melhor pres­ta­ção de ser­vi­ços ao cida­dão, for­ne­cen­do-lhe mais méto­dos de atendimento. 

Por outro lado, a e‑democracia é a ampli­a­ção demo­crá­ti­ca uti­li­zan­do as tec­no­lo­gi­as de infor­ma­ção e comu­ni­ca­ção (CUNHA; MIRANDA, 2013), isto é, quan­do usa­mos os mei­os ele­trô­ni­cos para aumen­tar o poder de par­ti­ci­pa­ção do cida­dão, o qual sem essas fer­ra­men­tas ele­trô­ni­cas seria mais buro­crá­ti­co e limitado. 

Sen­do assim, a comu­ni­ca­ção entre Esta­do e cida­dão e prin­ci­pal­men­te com os par­ti­ci­pan­tes polí­ti­cos é faci­li­ta­da pelo uso das TIC, ampli­an­do a capa­ci­da­de demo­crá­ti­ca dos indivíduos. 

Para que todos pos­sam par­ti­ci­par do pro­ces­so demo­crá­ti­co ele­trô­ni­co, por exem­plo, é neces­sá­rio que todos pos­su­am infra­es­tru­tu­ra sufi­ci­en­te e ade­qua­da, além do conhe­ci­men­to para manu­se­ar todo o equi­pa­men­to, caso con­trá­rio só refor­ça­rá a desi­gual­da­de já exis­ten­te no país, logo, o que seria uma fer­ra­men­ta bené­fi­ca para os cida­dãos, tor­nar-se-ia mais um fator para o con­tras­te soci­al bra­si­lei­ro, dan­do ori­gem ao fenô­me­no “divi­são digital”. 

Além dis­so, as cha­ma­das cida­des digi­tais, como Belo Hori­zon­te, se carac­te­ri­zam por terem uma soci­e­da­de da informação.

 A mai­o­ria das pes­so­as no Bra­sil vive e tra­ba­lha em núcle­os urba­nos, e as admi­nis­tra­ções locais são as ins­tân­ci­as mais pró­xi­mas do cida­dão, conhe­cem suas neces­si­da­des, o meio local, e podem iden­ti­fi­car o impac­to e as opor­tu­ni­da­des de uma e‑estratégia, uma visão glo­bal para apro­vei­tar o poten­ci­al das TIC. 

O movi­men­to de cida­des digi­tais assu­me uma dimen­são glo­bal onde ganha des­ta­que a estra­té­gia dos gover­nos naci­o­nais e regi­o­nais para cri­ar as con­di­ções ide­ais para a inser­ção das popu­la­ções na soci­e­da­de da infor­ma­ção (CUNHA; MIRANDA, 2013).

Con­tu­do, é neces­sá­ria aten­ção espe­ci­al ao aspec­to da infra­es­tru­tu­ra ade­qua­da para uma inclu­são digi­tal bem-suce­di­da, caso con­trá­rio o inves­ti­men­to terá sido em vão.

Há ain­da outro pon­to impor­tan­te, as ações de polí­ti­ca econô­mi­ca na indús­tria de TIC. Este setor já pos­sui um impac­to sig­ni­fi­ca­ti­vo no PIB do Bra­sil (0,88%), EUA, Japão e Ale­ma­nha (pró­xi­mos a 2%).  As agên­ci­as inter­na­ci­o­nais refor­çam que as TIC con­tri­bu­em, deve­ras, para a melho­ria do desem­pe­nho das ins­ti­tui­ções, da dis­tri­bui­ção de ser­vi­ços assim como para a par­ti­ci­pa­ção demo­crá­ti­ca, des­sa for­ma, há não somen­te um impac­to econô­mi­co como tam­bém soci­al em sua uti­li­za­ção (LIMA, 2018).

O uso das TIC do setor públi­co para o setor pri­va­do é dife­ren­te, pois ape­sar de elas pos­suí­rem fun­ções seme­lhan­tes têm abor­da­gens dife­ren­tes para cada um: no aspec­to públi­co há a sub­mis­são do gover­no ao con­tro­le exter­no, mai­or que na ini­ci­a­ti­va pri­va­da, por exem­plo, ou seja, pos­su­em mis­sões dife­ren­tes, mas uti­li­zam a mes­ma fer­ra­men­ta para alcan­ça­rem seus objetivos. 

2.3 A ERA DIGITAL

As tec­no­lo­gi­as da infor­ma­ção e comu­ni­ca­ção são con­si­de­ra­das entre os mais impor­tan­tes tópi­cos na era digi­tal. Novos ser­vi­ços, empre­sas, start-ups sur­gem mudan­do o cami­nho das empre­sas esta­be­le­ci­das que diri­gem o mercado. 

As tec­no­lo­gi­as tra­zem um pon­to de vis­ta per­tur­ba­dor para os mode­los de negó­ci­os e tare­fas diá­ri­as. Essas mudan­ças exi­gem a adap­ta­ção de mer­ca­dos, empre­sas e gover­no. Des­ta for­ma, mui­to esfor­ço está sen­do fei­to pelos gover­nos para adap­tar e incor­po­rar novas tec­no­lo­gi­as para digi­ta­li­zar o mun­do (DELOITTE, 2019).

É um desa­fio que não se res­trin­ge ape­nas à inter­ven­ção do gover­no. Tan­to os cida­dãos quan­to empre­sas desem­pe­nham um papel impor­tan­te nes­sas mudan­ças para um ambi­en­te digi­tal, incen­ti­van­do a dis­se­mi­na­ção das Tec­no­lo­gi­as de Infor­ma­ção e Comunicação.

Espe­ci­fi­ca­men­te no Bra­sil, o gover­no tem rea­li­za­do vári­os estu­dos e já gerou alguns rela­tó­ri­os levan­do em con­si­de­ra­ção os desa­fi­os e lacu­nas que pre­ci­sam ser abor­da­dos para melho­rar o mer­ca­do de Tec­no­lo­gi­as e impul­si­o­nar o país em dire­ção a uma estra­té­gia digi­tal. Asso­ci­a­ções e outras enti­da­des rela­ci­o­na­das ao mer­ca­do de Tec­no­lo­gia tam­bém tem moti­va­do o mer­ca­do brasileiro.

Exis­tem mui­tas lacu­nas entre ofer­ta e deman­da de habi­li­da­des em dife­ren­tes seto­res no Bra­sil. Os desa­fi­os dos seto­res de TIC, a fal­ta de ori­en­ta­ção polí­ti­ca ade­qua­da e rit­mo len­to no desen­vol­vi­men­to do capi­tal huma­no cau­sa­ram um aumen­to no núme­ro de lacu­nas exis­ten­tes (DELOITTE, 2019). 

O gover­no bra­si­lei­ro, no entan­to, vem fazen­do esfor­ços para mudar a situ­a­ção atu­al. Por exem­plo, o pro­gra­ma “Bra­sil Efi­ci­en­te” (Bra­sil efi­ci­en­te) cri­ou o Con­se­lho Naci­o­nal de Des­bu­ro­cra­ti­za­ção para tra­tar dire­tri­zes e asser­ções para sim­pli­fi­car e moder­ni­zar a admi­nis­tra­ção públi­ca, bem como melho­rar os ser­vi­ços públi­cos à soci­e­da­de, clas­si­fi­can­do pri­o­ri­da­des e metas para a des­bu­ro­cra­cia (BRASIL, 2018). 

O pro­gra­ma reco­men­da tam­bém os prin­ci­pais obje­ti­vos para as novas ver­sões da Estra­té­gia de Gover­nan­ça Digi­tal (Gover­nan­ça Digi­tal — EGD).

A estru­tu­ra do pro­gra­ma “Bra­sil Efi­ci­en­te” tem 8 pro­gra­mas, incluin­do a estra­té­gia digi­tal bra­si­lei­ra (BRASIL, 2019).

2.4 EXPERIÊNCIA DE OUTROS PAÍSES NO CONTEXTO DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

2.4.1 Cin­ga­pu­ra 

O pro­gra­ma Nação inte­li­gen­te de Cin­ga­pu­ra foi lan­ça­do pelo gover­no em 2014. O obje­ti­vo era impul­si­o­nar a ado­ção abran­gen­te de sis­te­mas digi­tais e tec­no­lo­gi­as inte­li­gen­tes em todo o país. 

O gover­no colo­ca polí­ti­cas e legis­la­ção em vigor para faci­li­tar ino­va­ções do setor públi­co e pri­va­do e incen­ti­var a ado­ção de novas idei­as (DELOITTE, 2019).

2.4.2 Cana­dá 

O pro­gra­ma Digi­tal Cana­da 150 tam­bém foi lan­ça­do em 2014 com o obje­ti­vo de cri­ar uma polí­ti­ca digi­tal para o Cana­dá. Foram defi­ni­das metas para a cele­bra­ção do Ani­ver­sá­rio de 150 anos do Cana­dá em 2017, e eles foram atu­a­li­za­dos quan­do a data se apro­xi­ma­va.  A nova ver­são do pro­gra­ma foi foca­da em cin­co pilares: 

Conec­tan­do canadenses;

Pro­te­gen­do os cana­den­ses economicamente;

Opor­tu­ni­da­des;

Gover­no Digital; 

Con­teú­do cana­den­se (DELOITTE, 2019).

2.4.3 Malá­sia 

Digi­tal Malay­sia é um pro­gra­ma com base em rela­ções estra­té­gi­cas para avan­çar o país para uma eco­no­mia digi­tal desen­vol­vi­da até 2020. Os obje­ti­vos são aumen­tar a con­tri­bui­ção da eco­no­mia digi­tal ao ren­di­men­to naci­o­nal bru­to (RNB), para aumen­tar a pro­du­ti­vi­da­de e melho­rar o padrão de vida (DELOITTE, 2019).

2.4.4 Ale­ma­nha 

O pro­gra­ma Indús­tria 4.0 é uma ini­ci­a­ti­va naci­o­nal estra­té­gi­ca do gover­no ale­mão que visa impul­si­o­nar a fabri­ca­ção aumen­tan­do a digi­ta­li­za­ção e inter­co­ne­xão de pro­du­tos, cadei­as de valor e mode­los de negó­ci­os. Tam­bém visa apoi­ar pes­qui­sa, tra­ba­lho em rede da indús­tria, par­cei­ros e padro­ni­za­ção (DELOITTE, 2019).

O con­cei­to de Indús­tria 4.0 está rela­ci­o­na­do às ondas que exis­ti­ram em rela­ção às revo­lu­ções que a indús­tria obser­vou des­de a revo­lu­ção indus­tri­al, que foi o iní­cio da orga­ni­za­ção do tra­ba­lho nas fábri­cas, usan­do máqui­nas. Isso foi cha­ma­do de Indús­tria 1.0. Depois sur­giu a Indús­tria 2.0, na qual foi intro­du­zi­do o con­cei­to de Linha de Pro­du­ção, a indús­tria pio­nei­ra foi a auto­mo­ti­va (Ford) .

A ter­cei­ra revo­lu­ção que repre­sen­ta o Indus­tria 3.0 trou­xe a intro­du­ção dos sen­so­res e con­tro­la­do­res, usan­do códi­gos para pro­gra­mar, con­tro­lar e moni­to­rar o equi­pa­men­to. A auto­ma­ção de Tec­no­lo­gia da Infor­ma­ção e Enge­nha­ria se desen­vol­veu mui­to nes­sa fase, tra­zen­do mais efi­ci­ên­cia e segu­ran­ça aos pro­ces­sos produtivos.

Ago­ra, na Indús­tria 4.0, o avan­ço da tec­no­lo­gia for­ne­ce manei­ras de conec­tar e inte­grar obje­tos (máqui­nas) com redes de infor­ma­ção. Isso repre­sen­ta uma enor­me oti­mi­za­ção dos pro­ces­sos na indús­tria, uma vez que temos o flu­xo de infor­ma­ções mui­to rápi­do (DELOITTE, 2019).

Figu­ra  SEQ Figu­ra \* ARABIC 1 – Revo­lu­ções industriais

Fon­te: Ela­bo­ra­do com base em DELOITTE (2019)

2.4.5 Chi­na 

O pro­gra­ma Inter­net + (Inter­net Plus) foi imple­men­ta­do atra­vés de um pla­no de cin­co anos para inte­grar a com­pu­ta­ção em nuvem, big data e Inter­net das Coi­sas com uma vari­e­da­de de indús­tri­as de fabri­ca­ção para comér­cio, Inter­net ban­cá­ria, agri­cul­tu­ra e mui­tos outros (DELOITTE, 2019).

2.4.6 Padrões mundiais 

O Índi­ce Glo­bal de Conec­ti­vi­da­de (GCI) des­ta­ca a impor­tân­cia das TIC e ana­li­sa como os paí­ses estão posi­ci­o­na­dos em ter­mos de inves­ti­men­to, ado­ção, expe­ri­ên­cia e poten­ci­al desen­vol­vi­men­to de Tec­no­lo­gia. Os Esta­dos Uni­dos, Cin­ga­pu­ra e Sué­cia con­ti­nu­a­ram sen­do as três prin­ci­pais nações em 2018 (com dados de 2017), de acor­do com o ran­king da GCI. 

O Bra­sil está clas­si­fi­ca­do no 44º lugar entre os 79 paí­ses exa­mi­na­dos. O país foi clas­si­fi­ca­do como ado­tan­te e, como tal, deve se con­cen­trar no  desen­vol­ven­do e imple­men­ta­ção de ser­vi­ços em nuvem em toda a eco­no­mia, o que pode abrir a por­ta para ganhar um sta­tus de pio­nei­ro nos pró­xi­mos anos (DELOITTE, 2019).

Quan­do o rela­tó­rio GCI com­pa­ra a evo­lu­ção de 2015 a 2018, reve­la que, em média, os paí­ses pio­nei­ros avan­ça­ram mais do que os ado­tan­tes, que por sua vez avan­ça­ram mais do que os iniciantes. 

Ao mes­mo tem­po, a melho­ria da pon­tu­a­ção do GCI leva a sig­ni­fi­ca­ti­vos ganhos: um aumen­to de 1 pon­to na pon­tu­a­ção do GCI gera um aumen­to de 2,3% na pro­du­ti­vi­da­de, aumen­to de 2,2% na ino­va­ção e cres­ci­men­to de 2,1% na com­pe­ti­ti­vi­da­de naci­o­nal (CGI, 2018).

3 CONCLUSÃO

É impor­tan­te que cada cida­de defi­na sua pró­pria visão e o rit­mo de evo­lu­ção até a ges­tão inte­li­gen­te. Porém, a fim de con­se­guir um avan­ço efe­ti­vo é impe­ra­ti­vo que a lide­ran­ça dos muni­cí­pi­os tra­ba­lhe em con­jun­to com as demais esfe­ras da admi­nis­tra­ção públi­ca, com as empre­sas, as uni­ver­si­da­des e com os cidadãos. 

A eco­no­mia do futu­ro será digi­tal e deve­rá alcan­çar todos os bra­si­lei­ros. Não se pode vis­lum­brar uma eco­no­mia moder­na e dinâ­mi­ca que não pro­por­ci­o­ne igual­da­de de opor­tu­ni­da­des em todas as regiões do País.

A área digi­tal tem se mos­tra­do como uma impor­tan­te habi­li­ta­do­ra das moder­nas eco­no­mi­as e os paí­ses líde­res têm se posi­ci­o­na­do de for­ma estra­té­gi­ca em rela­ção ao tema. No con­tex­to inter­na­ci­o­nal, diver­sos paí­ses bus­cam avan­çar em suas prin­ci­pais com­pe­tên­ci­as e van­ta­gens, e, ao mes­mo tem­po pre­en­cher lacu­nas impor­tan­tes para obter maxi­mi­za­ção dos bene­fí­ci­os da eco­no­mia digital. 

Em fun­ção do dina­mis­mo econô­mi­co e das prin­ci­pais for­ças pro­du­ti­vas, alguns paí­ses pro­cu­ram se tor­nar líde­res em seto­res espe­cí­fi­cos e pro­mis­so­res, tais como a robó­ti­ca, a inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al, a manu­fa­tu­ra de alta pre­ci­são ou as ino­va­ções finan­cei­ras digi­tais, enquan­to outros geren­ci­am seus mar­cos regu­la­tó­ri­os de for­ma a apro­vei­tar o poten­ci­al das tec­no­lo­gi­as digitais. 

Entre as pri­o­ri­da­des das ini­ci­a­ti­vas de digi­ta­li­za­ção pelo mun­do, estão a bus­ca de com­pe­ti­ti­vi­da­de em negó­ci­os digi­tais, digi­ta­li­za­ção de ser­vi­ços públi­cos, cri­a­ção de empre­gos qua­li­fi­ca­dos na nova eco­no­mia e polí­ti­cas para uma edu­ca­ção melhor e mais avan­ça­da. Com o Bra­sil não será dife­ren­te. As van­ta­gens bra­si­lei­ras deve­rão ser apro­vei­ta­das para supe­rar desa­fi­os e avan­çar na digi­ta­li­za­ção da economia. 

Embo­ra o Bra­sil pos­sua for­tes e sig­ni­fi­ca­ti­vas van­ta­gens com­pe­ti­ti­vas em deter­mi­na­das áre­as – agro­ne­gó­cio desen­vol­vi­do, seto­res de indús­tria e ser­vi­ços sóli­dos, diver­si­da­de cul­tu­ral, eco­no­mia gran­de e diver­si­fi­ca­da, mer­ca­do con­su­mi­dor atra­en­te – per­ce­be-se que o País ain­da tem desa­fi­os impor­tan­tes a enfrentar.

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