Os impactos na implantação na Sociedade 5.0 no Brasil
Em vez da quarta revolução industrial, onde as máquinas substituíram os empregos humanos, a Indústria 5.0 trouxe as pessoas de volta à produção, onde humanos e máquinas trabalham de forma colaborativa. As tarefas humanas são reestruturadas para beneficiar trabalhadores e recursos intelectuais humanos, criatividade e um sistema inteligente é usado para aumentar a eficiência.
A indústria 5.0 é um conceito visionário que terá um profundo impacto na sociedade, governança, identidade humana e economia. É considerada como uma transformação da sociedade da informação para uma sociedade super genial. A visão de uma indústria inovadora, resiliente, sociocêntrica e competitiva que respeite fronteiras planetárias e minimize seu impacto ambiental negativo foi rotulada de Sociedade 5.0. Isso abre muitos novos desafios relacionados à tecnologia, socio economia, regulação e governança.
O conceito de Sociedade 5.0 não se limita apenas aos fatores de fabricação, mas também resolve problemas sociais com a ajuda da integração do espaço físico e cibernético (virtual) (Falaq, 2020), no qual eles estão integrados para apoiar uma sociedade próspera e ecológica. A sociedade 5.0 é um sistema socioeconômico e cultural que se desenvolve de forma sustentável em uma direção ideal para a humanidade, a partir do processamento dos resultados do “big data” (Yano et al., 2020), no qual um espaço físico e ciberespaço se tornam um todo integrante para a resolução de problemas sociais, proporcionando segurança e eco simpatia das inovações e crescimento econômico sustentável (Salimova et al., 2019). Assim, as tecnologias emergentes da quarta revolução industrial devem ser devidamente exploradas para a Visão Sociedade 5.0 de sustentabilidade da centralidade humana na governança, indústria e comércio (Amadi-Echendu, Thopil, 2020).
O que difere a Indústria 4.0 da Sociedade 5.0 são as diferentes abordagens gerais para os indivíduos e seu verdadeiro valor para os negócios e para a sociedade. No entanto, são as tecnologias de habilitação da Indústria 4.0 que são o núcleo do modelo e que tornam possível a transição para a Sociedade 5.0 (Aquilani et al., 2020).
A filosofia de origem japonesa da Sociedade 5.0 reside em usar a inovação e os avanços tecnológicos da Indústria 4.0, como Inteligência Artificial (IA), robótica e Big Data (BD), para criar sistemas que atendam harmoniosamente aos interesses da sociedade. Combinando ciberespaço e espaço físico, a Sociedade 5.0 tem como objetivo alavancar a transformação digital da revolução industrial 4.0 para criar equilíbrio econômico, aliviar problemas sociais através da oferta de produtos e serviços e enfrentar desafios sociais, incluindo os desafios enfrentados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (Gerber, Hinkelmann, 2021).
Na Sociedade 5.0, pessoas, coisas e sistemas estão todos conectados no ciberespaço e os grandes resultados obtidos pela IA excedem as capacidades dos seres humanos, que são alimentados em torno de um espaço físico. A sociedade 5.0, que prioriza ciência, tecnologia, inovação e ODS, sugere que muitos problemas, incluindo desemprego, pobreza e poluição do ar, serão resolvidos sob a liderança da IA (Melnyk et al., 2019).
O conceito de Sociedade 5.0 e Indústria 5.0 não é uma simples continuação cronológica ou alternativa ao paradigma da Indústria 4.0 (Carayannis, Morawska-Jancelewicz, 2022). O princípio básico da Era da Sociedade 5.0 é a solução para os problemas criados durante a Era da Revolução Industrial 4.0, incluindo o problema da redução da socialização entre comunidades, emprego e outros impactos da internalização (Faruqi, 2019). A sociedade 5.0 é a ‘Sociedade da Imaginação’ onde a industrialização será o fator central da transformação e dos avanços tecnológicos (Saxena et al., 2020).
Na Indústria 4.0, pessoas, objetos e sistemas estão todos interconectados no ciberespaço. Na Sociedade 5.0, muitas informações são acumuladas no ciberespaço (espaço virtual) a partir de sensores no espaço físico (espaço real), o que proporciona um alto grau de convergência entre esses dois espaços (Toprak, Bayraktar, Özyilmazthe, 2020). A sociedade 5.0 tem como objetivo colocar os seres humanos no ponto médio da inovação e, explorando o impacto da tecnologia e os resultados da Indústria 4.0, integrar tecnologia para melhorar a qualidade de vida, responsabilidade social e sustentabilidade, que é uma perspectiva pioneira que compartilha pontos comuns com os ODS (Önday, 2020).
Na Era da Sociedade 5.0, supõe-se que interações, interdependências e inter-relações são facilitadas através das plataformas tecnológicas digitalizadas da quarta revolução industrial. Ao contrário da Era 4.0, que enfatiza apenas os negócios, a Era da Sociedade 5.0 pode ser interpretada como um conceito de sociedade centrado no ser humano e baseado em tecnologia. Aqui, a tecnologia criou novos valores que eliminarão as desigualdades sociais, idade, sexo, linguagem e fornecerão produtos e serviços especificamente projetados para uma variedade de necessidades individuais e as necessidades de muitas pessoas (Falaq, 2020).
A sociedade 5.0 permite o uso de tecnologias avançadas como TI, Internet das Coisas (Internet of Thins – IoT), robótica, IA e Realidade Aumentada (Augmented Reality – AR) na vida das pessoas, na saúde e em outras esferas de atuação, enquanto a Indústria 4.0 restringe apenas os avanços tecnológicos ao setor industrial. A sociedade 5.0 foca na aplicação de tecnologia e inovação em constante desenvolvimento estimulados pela Indústria 4.0 para resolver problemas da humanidade, como envelhecimento populacional, desastres naturais, desigualdade social, segurança e melhoria da qualidade de vida das pessoas. É uma sociedade que pensa em um sistema social baseado em TI, o que implica uma mudança global na reforma da economia, do sistema de emprego, da sociedade e da educação e tem um foco especial de colocar o ser humano no centro de inovação, transformação tecnológica e automação industrial, estimulado pela Indústria 4.0. Esse novo paradigma da Sociedade 5.0 desempenhará um papel predominante na criação de uma sociedade mais feliz, mais satisfeita, cumprida e, consequentemente, mais produtiva (Pereira, Lima, Charrua-Santos, 2020).
Para implementar a Sociedade 5.0, são necessárias transformações nas empresas para antecipar mudanças, tais como: desafios na melhoria da competência das pessoas, uma cultura de inovação e o processo apoiado pelo uso da tecnologia, para alcançar a criação de valor eficaz e eficiente e apoiar o desenvolvimento sustentável A sociedade 5.0 terá impacto em todos os aspectos da vida, desde saúde, planejamento urbano, transporte, agricultura, indústria e educação (Mihardjo et al, 2019).
Não é por acaso que os nomes genéricos que somam à “Sociedade 5.0” são: “pós-industrial”, “informação”, “rede”, “sociedade digital” e “sociedade do conhecimento”. Também pode ser chamada de economia sustentável, pois garante a realização de ODS e incentiva o processo de formação de uma sociedade onde o mundo digital está cada vez mais presente a serviço do desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental)— uma sociedade super inteligente e engajada na inovação sustentável e atende seu presente sem comprometer as oportunidades do futuro, organizando-se para melhorar o bem-estar comum dos cidadãos e as considerações sociais, ambientais e financeiras estão integradas aos sistemas organizacionais (Rojas et al., 2021).
A transformação futura da Sociedade 5.0 (digital) (os próximos 10 a 15 anos) dará um papel mais criativo e inovador, sentidos, conhecimentos e habilidades para humanos e tecnologias inteligentes no novo mix de hiper-realidade e apoiará ainda mais condições de trabalho dinâmicas, diversas e flexíveis que levem à criação de uma nova categoria de empregos (Sharma, Garg, Kiran, 2020).
A sociedade 5.0 e a Indústria 5.0 refletem uma mudança fundamental das sociedades e economias em direção a um novo paradigma para equilibrar o desenvolvimento econômico com a resolução de problemas sociais e ambientais, criando bem-estar social e habilidades de correspondência, onde é dada importância ao conhecimento, para enfrentar os desafios associados às interações homem-máquina. A necessidade objetiva do desenvolvimento da civilização humana moderna é a transição para uma nova formação socioeconômica, incluindo a capacidade urgente de reproduzir recursos e reciclar resíduos (Hikmat, 2022).
A tecnologia e a inovação precisam ser usadas para ajudar e avançar a sociedade, não para substituir o papel dos seres humanos. A combinação da Indústria 5.0 e Sociedade 5.0 pode melhorar a qualidade de vida social das pessoas, formando um melhor padrão de ordem social. Com o nascimento da Era da Sociedade 5.0 espera-se que sua principal tecnologia no campo da educação não mude o papel dos instrutores no ensino da educação moral, caráter e modelos para os alunos [72], pois na Era da Sociedade 5.0, a educação é fundamental para melhorar a qualidade do capital humano (Hikmat, 2022).
Como mencionado, com este trabalho pretendemos, a partir de uma revisão bibliográfica, analisar os desafios da Era 5.0 e seus impactos na indústria, na sociedade e na educação, como motores e promotores do caminho do desenvolvimento sustentável e da humanização da sociedade e do mundo. A Era 5.0 é uma verdadeira revolução da sociedade e da humanidade focada na qualidade de vida, no bem-estar humano, social, ambiental e econômico.
Esses temas, após o impacto da pandemia, mudanças climáticas, guerra, divisões sociais, riscos cibernéticos, entre outros, estão no topo da agenda e merecem mais atenção e preocupação de políticos, organizações e comunidades. Assim, o conceito indústria 5.0 é uma evolução do conceito Indústria 4.0, que utiliza tecnologias e aplicações emergentes para harmonizar o mundo virtual e físico, colocando o valor humano no centro do problema.
Dessa forma, teremos uma sociedade (Sociedade 5.0) com tecnologias e infraestruturas voltadas para o ser humano e para a resolução de problemas sociais e ambientais, ou seja, uma sociedade baseada em sustentabilidade, valor humano e resiliência. No entanto, embora a tecnologia não pare de proporcionar mudanças na indústria, na sociedade e na educação, não basta promover as melhorias esperadas na humanidade. Nesse cenário de rápida evolução, transformação e mudança tecnológica, há necessidade de novas aprendizagem e habilidades na educação.
José Augusto Paixão Gomes
Mestrado em Engenharia Civil na Área de Concentração em Gestão,
Produção e Meio Ambiente, com foco em Inovação e Cidades Inteligentes.
Universidade Federal Fluminense — UFF
Orlando Celso Longo
Doutorado em Engenharia de Transportes
Professor do Departamento do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil
Universidade Federal Fluminense — UFF
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