Indústria 5.0 e o futuro do administrador: a inteligência artificial como aliada na tomada de decisão e na estratégia organizacional

Industry 5.0 and the future of the Administrator: artificial intelligence as an ally in decision-making and organizational strategy

RESUMO
Este estu­do apre­sen­ta uma aná­li­se minu­ci­o­sa de como o papel do ges­tor se rein­ven­ta no con­tex­to da Indús­tria 5.0, real­çan­do a inte­gra­ção da Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) como fer­ra­men­ta essen­ci­al para deci­sões e pla­ne­ja­men­to. A Indús­tria 5.0, que avan­ça em rela­ção à ante­ri­or, pri­o­ri­za a união entre huma­nos e máqui­nas, a sus­ten­ta­bi­li­da­de, a adap­ta­ção e o foco nas pes­so­as, afe­tan­do as prá­ti­cas de ges­tão e as habi­li­da­des dos líde­res. Por meio de uma pes­qui­sa bibli­o­grá­fi­ca estru­tu­ra­da, o estu­do mos­tra como a IA oti­mi­za a aná­li­se de dados com­ple­xos e ante­ci­pa cená­ri­os, melho­ran­do as deci­sões. Além dis­so, explo­ra o uso de mode­los estra­té­gi­cos, como o Can­vas de Mode­lo de Negó­cio, na Indús­tria 5.0, e como a IA pode for­ta­le­cer sua apli­ca­ção na cri­a­ção e ajus­te de estra­té­gi­as. Serão deba­ti­dos os desa­fi­os éti­cos, prá­ti­cos e de capa­ci­ta­ção, bem como as chan­ces para os ges­to­res que dese­jam maxi­mi­zar a união entre a inte­li­gên­cia huma­na e a arti­fi­ci­al. Os resul­ta­dos indi­cam que o ges­tor se tor­na um “cura­dor de insights”, com­bi­nan­do a aná­li­se da IA com sua intui­ção e cri­a­ti­vi­da­de para lidar com a com­ple­xi­da­de do mun­do dos negó­ci­os atual.


Pala­vras-cha­ve: Indús­tria 5.0; Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al; Deci­são; Ges­tão Estra­té­gi­ca; Can­vas de Mode­lo de Negócio.

ABSTRACT

This arti­cle explo­res how the admi­nis­tra­tor’s role is evol­ving within Indus­try 5.0, empha­si­zing Arti­fi­ci­al Intel­li­gen­ce (AI) as a key tool for deci­si­on-making. Indus­try 5.0, cha­rac­te­ri­zed by the synergy betwe­en humans and machi­nes, sus­tai­na­bi­lity, and adap­ta­bi­lity, modi­fi­es the skills and duti­es of mana­gers. Through a detai­led analy­sis of recent stu­di­es, this rese­ar­ch aims to demons­tra­te how AI can enhan­ce deci­si­ons, strengthen admi­nis­tra­tors’ analy­ti­cal capa­bi­li­ti­es, and fos­ter more effec­ti­ve and ethi­cal mana­ge­ment. Emer­ging chal­len­ges and oppor­tu­ni­ti­es will be dis­cus­sed, sug­ges­ting a set of cru­ci­al skills for the futu­re admi­nis­tra­tor who seeks to maxi­mi­ze the part­nership betwe­en humans and AI. The results show that AI, when used intel­li­gen­tly, beco­mes a fun­da­men­tal aid, allowing admi­nis­tra­tors to focus on more com­plex and inno­va­ti­ve mana­ge­ment tasks.


Keywords: Indus­try 5.0; Arti­fi­ci­al Intel­li­gen­ce; Deci­si­on-Making; Admi­nis­tra­tor; Human-AI Collaboration.


1. INTRODUÇÃO

O cená­rio dos negó­ci­os no mun­do todo pas­sa por mudan­ças cons­tan­tes, impul­si­o­na­das por ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas nun­ca antes vis­tas. Com a Indús­tria 4.0 já esta­be­le­ci­da, com seu foco na digi­ta­li­za­ção e na auto­ma­ti­za­ção, sur­ge a Indús­tria 5.0, um novo mode­lo que bus­ca tra­zer de vol­ta o ser huma­no para o cen­tro da pro­du­ção, incen­ti­van­do a par­ce­ria entre pes­so­as e robôs, a pro­du­ção per­so­na­li­za­da em gran­de esca­la e a pre­o­cu­pa­ção com o meio ambi­en­te (SEBRAE, 2023; OKUHARA, 2024). Den­tro des­se con­tex­to em trans­for­ma­ção, o tra­ba­lho do admi­nis­tra­dor é mui­to afe­ta­do, exi­gin­do que ele se adap­te e desen­vol­va novas habi­li­da­des para lidar com a com­ple­xi­da­de e a rapi­dez das mudan­ças.
A Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) se des­ta­ca como uma das tec­no­lo­gi­as mais ino­va­do­ras des­sa nova fase, com o poten­ci­al de mudar radi­cal­men­te a for­ma como as deci­sões são toma­das nas empre­sas. A IA con­se­gue pro­ces­sar e ana­li­sar gran­des quan­ti­da­des de infor­ma­ções (Big Data), iden­ti­fi­car padrões, pre­ver ten­dên­ci­as e aju­dar a melho­rar os pro­ces­sos, per­mi­tin­do que o admi­nis­tra­dor se dedi­que a ati­vi­da­des que exi­gem cri­a­ti­vi­da­de, intui­ção e raci­o­cí­nio crí­ti­co (SANKHYA, 2024; ASTOLFI, 2024). Essa capa­ci­da­de da IA de fun­ci­o­nar como uma impor­tan­te fer­ra­men­ta estra­té­gi­ca é essen­ci­al para que as empre­sas con­si­gam se man­ter no mer­ca­do no com­ple­xo ambi­en­te atual.

Além das deci­sões do dia a dia, o pla­ne­ja­men­to estra­té­gi­co tam­bém é trans­for­ma­do pela Indús­tria 5.0 e pela IA. Fer­ra­men­tas tra­di­ci­o­nais de estra­té­gia, como o Busi­ness Model Can­vas, podem ser melho­ra­das e adap­ta­das para um cená­rio onde a aná­li­se pre­di­ti­va e a per­so­na­li­za­ção são fun­da­men­tais (SOUSA, 2024). Enten­der como a IA pode apri­mo­rar o uso des­sas fer­ra­men­tas se tor­na cru­ci­al para a sobre­vi­vên­cia e o suces­so das empre­sas.

1. 1. Problematização

Con­si­de­ran­do o sur­gi­men­to da Indús­tria 5.0 e a cres­cen­te impor­tân­cia da Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al, como o papel do admi­nis­tra­dor se trans­for­ma e de que for­ma a IA pode ser uti­li­za­da como uma fer­ra­men­ta estra­té­gi­ca para oti­mi­zar a toma­da de deci­sões e a cri­a­ção de estra­té­gi­as nas empre­sas, prin­ci­pal­men­te com o auxí­lio de fer­ra­men­tas como o Busi­ness Model Canvas?



1.2. Obje­ti­vos

1.2.1. Obje­ti­vo Geral

Ana­li­sar a trans­for­ma­ção do papel do admi­nis­tra­dor na Indús­tria 5.0, inves­ti­gan­do como a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al pode ser inte­gra­da como fer­ra­men­ta estra­té­gi­ca para a toma­da de deci­sões e a cri­a­ção de estra­té­gi­as nas empre­sas, com foco no poten­ci­al uso do Busi­ness Model Canvas.

1.2.2. Obje­ti­vos Específicos

  • Des­cre­ver os prin­cí­pi­os e os impac­tos da Indús­tria 5.0 no mun­do dos negó­ci­os e nas carac­te­rís­ti­cas do administrador.
  • Ana­li­sar as capa­ci­da­des da Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al no supor­te à aná­li­se de dados e na oti­mi­za­ção da toma­da de deci­sões gerenciais.
  • Apre­sen­tar os con­cei­tos bási­cos do pla­ne­ja­men­to estra­té­gi­co e a impor­tân­cia do Busi­ness Model Can­vas no pla­ne­ja­men­to das empresas.
  • Suge­rir for­mas de inte­grar a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al no uso do Busi­ness Model Can­vas para cri­ar estra­té­gi­as mais adap­tá­veis e inovadoras.
  • Ana­li­sar os obs­tá­cu­los e as chan­ces para o ges­tor que alme­ja se desen­vol­ver e ter suces­so na épo­ca da par­ce­ria entre pes­so­as e IA na Indús­tria 5.0.
  • Apre­sen­tar um gru­po de habi­li­da­des e uma nova for­ma de pen­sar para o admi­nis­tra­dor do futu­ro, em har­mo­nia com os prin­cí­pi­os da Indús­tria 5.0.


1. 3. Justificativa

A impor­tân­cia des­te estu­do está na neces­si­da­de ime­di­a­ta de pre­pa­rar os pro­fis­si­o­nais de ges­tão para os desa­fi­os e as chan­ces apre­sen­ta­das pela Indús­tria 5.0 e pela Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al. Enten­der como essas tec­no­lo­gi­as influ­en­ci­am a deci­são e a estra­té­gia é essen­ci­al para a manu­ten­ção e o pro­gres­so das empre­sas. Este estu­do cola­bo­ra para dimi­nuir uma fal­ta nos tex­tos ao jun­tar as idei­as da Indús­tria 5.0, IA, ges­tão estra­té­gi­ca e o Mode­lo de Negó­cio Can­vas, dan­do uma visão com­ple­ta e apli­cá­vel para a cri­a­ção de idei­as e prá­ti­cas de ges­tão ino­va­do­ras. Ade­mais, o uso de cita­ções recen­tes (últi­mos 4 anos) garan­te a impor­tân­cia e a atu­a­li­da­de do deba­te, for­ne­cen­do uma fer­ra­men­ta útil para estu­dan­tes e pro­fis­si­o­nais que dese­jam se adap­tar e lide­rar nes­ta nova fase industrial.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Esta seção esta­be­le­ce as pre­mis­sas con­cei­tu­ais que emba­sam a ava­li­a­ção do papel do ges­tor na Indús­tria 5.0 e a inclu­são da Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al nas deci­sões e na admi­nis­tra­ção estra­té­gi­ca. Exa­mi­na­re­mos as prin­ci­pais idei­as e mode­los que dão supor­te à dis­cus­são ao lon­go des­te estudo.


2.1. A Indús­tria 5.0: Fun­da­men­tos e Refle­xos no Cená­rio Empresarial

A evo­lu­ção indus­tri­al tem sido um pro­pul­sor con­tí­nuo de mudan­ça econô­mi­ca e soci­al. A Indús­tria 4.0, base­a­da na auto­ma­ção, digi­ta­li­za­ção e conec­ti­vi­da­de, com tec­no­lo­gi­as como Inter­net das Coi­sas (IoT), Big Data e sis­te­mas ciber­fí­si­cos, trans­for­mou a manu­fa­tu­ra e os ser­vi­ços (OKUHARA, 2024). Con­tu­do, a visão da Indús­tria 5.0 sur­ge como uma res­pos­ta às falhas da sua ante­ces­so­ra, bus­can­do ultra­pas­sar a efi­ci­ên­cia pro­du­ti­va e a sim­ples oti­mi­za­ção de cus­tos (SEBRAE, 2023).

A Indús­tria 5.0 sim­bo­li­za uma mudan­ça de foco con­si­de­rá­vel. Enquan­to a Indús­tria 4.0 pri­o­ri­za­va a auto­ma­ção “máqui­na-máqui­na”, a Indús­tria 5.0 rein­te­gra o ele­men­to huma­no no cer­ne do pro­ces­so, incen­ti­van­do a coo­pe­ra­ção huma­no-máqui­na como um ali­cer­ce essen­ci­al (DIVIDINO, 2025). Essa nova eta­pa se dis­tin­gue por três fun­da­men­tos primordiais:

Cen­tra­li­da­de Huma­na: O obje­ti­vo mai­or é o bem-estar dos empre­ga­dos, a cus­to­mi­za­ção de pro­du­tos para aten­der às neces­si­da­des espe­cí­fi­cas dos cli­en­tes e a inte­ra­ção har­mo­ni­o­sa entre huma­nos e sis­te­mas inte­li­gen­tes (SEBRAE, 2023). Isso acar­re­ta um ambi­en­te de tra­ba­lho mais ergonô­mi­co, segu­ro e motivador.

Sus­ten­ta­bi­li­da­de: A Indús­tria 5.0 incor­po­ra a pre­o­cu­pa­ção com o meio ambi­en­te em todas as fases da pro­du­ção. Isso se mani­fes­ta em pro­ces­sos mais efi­ci­en­tes no uso de recur­sos, dimi­nui­ção de resí­du­os, desen­vol­vi­men­to de pro­du­tos com menor impac­to ambi­en­tal e a ado­ção de fon­tes de ener­gia reno­vá­veis (ASTOLFI, 2024).


Resi­li­ên­cia: As orga­ni­za­ções pro­cu­ram cons­truir sis­te­mas de pro­du­ção e cadei­as de supri­men­tos que sejam sóli­dos e aptos a se adap­tar rapi­da­men­te a cho­ques exter­nos, como cri­ses econô­mi­cas, pan­de­mi­as ou desas­tres natu­rais. A agi­li­da­de e a fle­xi­bi­li­da­de são cru­ci­ais para asse­gu­rar a con­ti­nui­da­de dos negócios.

Para o cená­rio empre­sa­ri­al, a Indús­tria 5.0 impli­ca a neces­si­da­de de uma refor­mu­la­ção estra­té­gi­ca. As empre­sas pre­ci­sam não só inves­tir em tec­no­lo­gi­as avan­ça­das, mas tam­bém em rea­va­li­ar sua cul­tu­ra orga­ni­za­ci­o­nal, seus mode­los de ges­tão de pes­so­as e seus pro­ces­sos de toma­da de deci­são para se ade­quar aos novos valo­res de cola­bo­ra­ção e sustentabilidade.


2.2. Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al: Noções e Uti­li­za­ções na Gestão


A Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) pode ser defi­ni­da como a apti­dão de sis­te­mas com­pu­ta­ci­o­nais de exe­cu­tar tare­fas que geral­men­te deman­da­ri­am inte­li­gên­cia huma­na, como apren­di­za­do, raci­o­cí­nio, reso­lu­ção de pro­ble­mas, per­cep­ção e com­pre­en­são da lin­gua­gem (SANKHYA, 2024). Den­tro do amplo cam­po da IA, algu­mas subá­re­as são par­ti­cu­lar­men­te rele­van­tes para a gestão:

O apren­di­za­do de máqui­na (ML) pos­si­bi­li­ta que com­pu­ta­do­res apren­dam atra­vés dos dados, sem neces­si­da­de de pro­gra­ma­ção explí­ci­ta. Essen­ci­al para pre­vi­são, reco­nhe­ci­men­to de padrões e cus­to­mi­za­ção (VILELA, 2023).

O apren­di­za­do pro­fun­do (DL) é uma área do ML que empre­ga redes neu­rais com diver­sas cama­das para ana­li­sar dados com­ple­xos como ima­gens, áudi­os e tex­tos, impul­si­o­nan­do o pro­gres­so no reco­nhe­ci­men­to faci­al, PLN e visão computacional.

O pro­ces­sa­men­to da lin­gua­gem natu­ral (PLN) dá aos com­pu­ta­do­res a capa­ci­da­de de enten­der, inter­pre­tar e cri­ar lin­gua­gem huma­na, sen­do cru­ci­al para chat­bots, aná­li­se de sen­ti­men­tos e suma­ri­za­ção de textos.

Na ges­tão, as apli­ca­ções da IA são vas­tas e geram gran­des mudanças:

Aná­li­se de Dados e Des­co­ber­tas: A IA con­se­gue exa­mi­nar e pro­ces­sar gran­des quan­ti­da­des de dados (Big Data) rapi­da­men­te, des­co­brin­do ten­dên­ci­as, rela­ções e padrões que seri­am difí­ceis de encon­trar manu­al­men­te. Isso traz infor­ma­ções impor­tan­tes para a toma­da de deci­sões em áre­as como finan­ças, mar­ke­ting e ope­ra­ções (OKUHARA, 2024).

Auto­ma­ti­za­ção de Ati­vi­da­des Repe­ti­ti­vas: A IA tor­na auto­má­ti­cas as tare­fas roti­nei­ras e base­a­das em regras, per­mi­tin­do que os fun­ci­o­ná­ri­os se con­cen­trem em tare­fas mais impor­tan­tes, como ino­va­ção, pla­ne­ja­men­to estra­té­gi­co e inte­ra­ção com os clientes.

Melho­ria dos Pro­ces­sos: Os algo­rit­mos de IA con­se­guem apri­mo­rar a cadeia de supri­men­tos, a logís­ti­ca, a dis­tri­bui­ção de recur­sos e os pro­ces­sos pro­du­ti­vos, dimi­nuin­do os gas­tos e aumen­tan­do a eficiência.

Melho­ra na Deci­são: Ao gerar pre­vi­sões mais exa­tas, aná­li­ses de ris­co deta­lha­das e suges­tões de ações, a IA ser­ve como um sis­te­ma de apoio à deci­são for­te, aju­dan­do os ges­to­res a toma­rem deci­sões mais rápi­das e bem fun­da­men­ta­das (ASTOLFI, 2024).

Ain­da que pos­sua mui­tas capa­ci­da­des, é impor­tan­te notar que a IA tem limi­ta­ções, como depen­der da qua­li­da­de dos dados, ter difi­cul­da­des com situ­a­ções incer­tas ou fal­ta de con­tex­to cul­tu­ral, e ampli­fi­car pre­con­cei­tos pre­sen­tes nos dados usa­dos para trei­na­men­to. As ques­tões éti­cas e de pri­va­ci­da­de tam­bém são um desa­fio cons­tan­te no uso da IA.

2.3. Ges­tão Estra­té­gi­ca no Sécu­lo XXI: Abor­da­gens e Arquétipos

A ges­tão estra­té­gi­ca repre­sen­ta o con­jun­to de deci­sões e ações cru­ci­ais que defi­nem o suces­so a lon­go pra­zo de uma empre­sa. Abran­ge a cri­a­ção, exe­cu­ção e ava­li­a­ção de estra­té­gi­as que pos­si­bi­li­tam à empre­sa atin­gir seus obje­ti­vos e man­ter uma van­ta­gem com­pe­ti­ti­va dura­dou­ra. No sécu­lo XXI, mar­ca­do por uma cres­cen­te Vola­ti­li­da­de, Incer­te­za, Com­ple­xi­da­de e Ambi­gui­da­de (VUCA), a ges­tão estra­té­gi­ca se tor­nou mais fle­xí­vel e adaptável.

Mode­los tra­di­ci­o­nais, como a Aná­li­se SWOT (For­ças, Fra­que­zas, Opor­tu­ni­da­des e Ame­a­ças) e o Mode­lo das Cin­co For­ças de Por­ter, per­ma­ne­cem impor­tan­tes, mas são com­ple­men­ta­dos por abor­da­gens que enfa­ti­zam a agi­li­da­de, a ino­va­ção e a capa­ci­da­de de res­pon­der a mudan­ças rápi­das. A estra­té­gia não é mais um pla­no infle­xí­vel, mas um pro­ces­so con­tí­nuo de expe­ri­men­ta­ção e aprendizado.

Nes­se cená­rio, o Busi­ness Model Can­vas, popu­la­ri­za­do por Osterwal­der e Pig­neur (2010), sur­giu como uma fer­ra­men­ta visu­al e prá­ti­ca para a cri­a­ção e ino­va­ção de mode­los de negó­ci­os. Ele pos­si­bi­li­ta que as empre­sas des­cre­vam e visu­a­li­zem seus mode­los de negó­ci­os de manei­ra abran­gen­te, faci­li­tan­do a com­pre­en­são e a comu­ni­ca­ção entre os envol­vi­dos. O Can­vas é com­pos­to por nove ele­men­tos interligados:


Seg­men­tos de Cli­en­tes: Quem são os cli­en­tes mais impor­tan­tes da empre­sa.
Pro­pos­tas de Valor: Os pro­du­tos e ser­vi­ços que geram valor para os cli­en­tes.
Canais: Como a empre­sa se comu­ni­ca e entre­ga suas pro­pos­tas de valor aos clientes.

Rela­ci­o­na­men­to com Cli­en­tes: O tipo de rela­ção que a empre­sa esta­be­le­ce com seus clientes.

Fon­tes de Recei­ta: Como a empre­sa obtém recei­ta a par­tir de suas pro­pos­tas de valor.

Recur­sos Cha­ve: Os ati­vos mais impor­tan­tes para o fun­ci­o­na­men­to do mode­lo de negócio.

Ati­vi­da­des Cha­ve: As ações mais impor­tan­tes que a empre­sa deve rea­li­zar para ter sucesso.

Par­ce­ri­as Cha­ve: A rede de for­ne­ce­do­res e par­cei­ros que apoi­am o mode­lo de negócio.

Estru­tu­ra de Cus­tos: Todos os cus­tos envol­vi­dos na ope­ra­ção do mode­lo de negócio.

O Busi­ness Model Can­vas é uma fer­ra­men­ta ver­sá­til que esti­mu­la a pro­to­ti­pa­gem e a ite­ra­ção, tornando‑o espe­ci­al­men­te ade­qua­do para a era da Indús­tria 5.0, onde a capa­ci­da­de de adap­ta­ção é um dife­ren­ci­al com­pe­ti­ti­vo (Sil­va, 2022).


2. 4. Con­ver­gên­cia: IA, Deci­são e Ges­tão Estra­té­gi­ca com o Canvas

A Indús­tria 5.0 exi­ge que a toma­da de deci­são e a ges­tão estra­té­gi­ca sejam cada vez mais base­a­das em dados e impul­si­o­na­das por insights pre­di­ti­vos. A IA se apre­sen­ta como um ele­men­to essen­ci­al nes­sa con­ver­gên­cia, ampli­an­do a capa­ci­da­de do ges­tor de cri­ar e exe­cu­tar estra­té­gi­as, inclu­si­ve por meio de fer­ra­men­tas como o Busi­ness Model Can­vas.
Ao apli­car a IA, cada um dos nove ele­men­tos do Can­vas pode ser apri­mo­ra­do, fazen­do com que ele dei­xe de ser algo fixo para se tor­nar uma fer­ra­men­ta de pla­ne­ja­men­to estra­té­gi­co total­men­te adaptável:


Públi­cos-Alvo e Ofer­tas de Valor: A IA con­se­gue estu­dar dados de redes soci­ais, o que as pes­so­as com­pram e como se com­por­tam onli­ne, para encon­trar gru­pos meno­res de cli­en­tes, ante­ci­par o que eles vão que­rer e ajus­tar as ofer­tas de valor de for­ma per­so­na­li­za­da e em gran­de esca­la, ultra­pas­san­do a seg­men­ta­ção comum.

Mei­os de Dis­tri­bui­ção e Inte­ra­ção com o Públi­co: A IA, por meio de seus algo­rit­mos, é capaz de esco­lher os melho­res canais de comu­ni­ca­ção e dis­tri­bui­ção, adap­tar as inte­ra­ções com os cli­en­tes usan­do chat­bots e assis­ten­tes vir­tu­ais, e pre­ver quan­do um cli­en­te pode desis­tir, agin­do antes que isso aconteça.

Entra­da de Dinhei­ro e Gas­tos: A IA pos­si­bi­li­ta ajus­tar os pre­ços de for­ma fle­xí­vel, usar os recur­sos de manei­ra mais efi­ci­en­te para dimi­nuir os gas­tos e pre­ver o flu­xo de dinhei­ro com mais exa­ti­dão, aju­dan­do a geren­ci­ar as finan­ças de for­ma mais inteligente.

Fer­ra­men­tas, Ações e Ali­an­ças Essen­ci­ais: A IA oti­mi­za a dis­tri­bui­ção de pes­so­al e tec­no­lo­gia, auto­ma­ti­za tare­fas impor­tan­tes de pro­du­ção e trans­por­te, e acha pos­sí­veis par­cei­ros de negó­ci­os com base em dados de per­for­man­ce e obje­ti­vos em comum.


A par­ce­ria entre o ges­tor e a IA na cri­a­ção de estra­té­gi­as não visa tro­car o raci­o­cí­nio huma­no, mas sim poten­ci­a­li­zá-lo. A IA ofe­re­ce os dados, a aná­li­se pre­di­ti­va e a iden­ti­fi­ca­ção de ten­dên­ci­as, enquan­to o ges­tor usa seu dis­cer­ni­men­to, intui­ção, cri­a­ti­vi­da­de e per­cep­ção do con­tex­to éti­co e cul­tu­ral para trans­for­mar essas infor­ma­ções em deci­sões estra­té­gi­cas e mode­los de negó­cio ino­va­do­res (SOUSA, 2024). Essa união entre a pre­ci­são da IA e a visão estra­té­gi­ca huma­na é o novo padrão da gestão.


3. METODOLOGIA

Para atin­gir os obje­ti­vos des­te estu­do, ado­tou-se uma meto­do­lo­gia que visa asse­gu­rar a pre­ci­são e a impor­tân­cia das infor­ma­ções reu­ni­das e analisadas.


3.1 Tipo de Estudo

Esta pes­qui­sa se defi­ne como des­cri­ti­va e explo­ra­tó­ria, empre­gan­do uma abor­da­gem qua­li­ta­ti­va. A natu­re­za des­cri­ti­va per­mi­te a carac­te­ri­za­ção apro­fun­da­da dos con­cei­tos de Indús­tria 5.0, Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al, deci­são e ges­tão estra­té­gi­ca, assim como suas rela­ções. O cará­ter explo­ra­tó­rio bus­ca inves­ti­gar as liga­ções emer­gen­tes e as opor­tu­ni­da­des não apro­vei­ta­das na apli­ca­ção da IA na ges­tão estra­té­gi­ca e no papel do ges­tor do futu­ro. A abor­da­gem qua­li­ta­ti­va é ide­al para apro­fun­dar a com­pre­en­são dos fenô­me­nos com­ple­xos e sub­je­ti­vos na trans­for­ma­ção do papel geren­ci­al fren­te às ino­va­ções tecnológicas.


3.2 Estru­tu­ra da Pesquisa

A estru­tu­ra da pes­qui­sa esco­lhi­da foi a revi­são bibli­o­grá­fi­ca sis­te­má­ti­ca. Este méto­do envol­ve a cole­ta e aná­li­se deta­lha­da de estu­dos já publi­ca­dos sobre o tema, per­mi­tin­do a sín­te­se do conhe­ci­men­to exis­ten­te, a iden­ti­fi­ca­ção de lacu­nas de pes­qui­sa e a cri­a­ção de novas visões. A revi­são sis­te­má­ti­ca ofe­re­ce uma base sóli­da para a orga­ni­za­ção e ava­li­a­ção crí­ti­ca da lite­ra­tu­ra, asse­gu­ran­do que as con­clu­sões se basei­em em evi­dên­ci­as cien­tí­fi­cas e aca­de­mi­ca­men­te relevantes.


3.3 Pro­ces­sos de Cole­ta de Dados

A cole­ta de dados ocor­reu prin­ci­pal­men­te em bases de dados aca­dê­mi­cas e bibli­o­te­cas digi­tais de repu­ta­ção inter­na­ci­o­nal e naci­o­nal, para garan­tir a qua­li­da­de e a rele­vân­cia das fon­tes. As prin­ci­pais bases con­sul­ta­das foram:

Sci­e­lo: Para aces­so a revis­tas cien­tí­fi­cas bra­si­lei­ras e lati­no-ame­ri­ca­nas.
Goo­gle Scho­lar: Para uma bus­ca ampla de lite­ra­tu­ra aca­dê­mi­ca em diver­sas áre­as.
Sci­en­ce­Di­rect: Para aces­so a arti­gos de revis­tas e capí­tu­los de livros de edi­to­ras reno­ma­das.
Perió­di­cos CAPES: Por­tal de revis­tas cien­tí­fi­cas bra­si­lei­ras.
Os ter­mos de bus­ca uti­li­za­dos, em por­tu­guês e inglês, foram com­bi­na­dos para maxi­mi­zar a recu­pe­ra­ção de docu­men­tos relevantes:

  • “Indús­tria 5.0” OR “Indus­try 5.0”
  • “Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al” OR “Arti­fi­ci­al Intel­li­gen­ce” OR “AI”
  • “Toma­da de Deci­são” OR “Deci­si­on-Making”
  • “Admi­nis­tra­dor” OR “Mana­ger” OR “Admi­nis­tra­tor’s role”
  • “Admi­nis­tra­ção Estra­té­gi­ca” OR “Stra­te­gic Management”
  • “Can­vas de Mode­lo de Negó­cio” OR “Busi­ness Model Canvas”
  • “Cola­bo­ra­ção Huma­no-IA” OR “Human-AI Collaboration”
  • “AI in busi­ness strategy”


Foram defi­ni­dos os seguin­tes cri­té­ri­os de inclu­são e exclu­são para a sele­ção dos documentos:

Cri­té­ri­os de Inclu­são: Arti­gos cien­tí­fi­cos (publi­ca­dos em revis­tas revi­sa­das por pares), livros, capí­tu­los de livros, teses e dissertações. 

Publi­ca­ções a par­tir de 2021 (últi­mos 4 anos), para asse­gu­rar a atu­a­li­da­de do con­teú­do. Idi­o­mas por­tu­guês e inglês.

Cri­té­ri­os de Exclu­são: Arti­gos de opi­nião, notí­ci­as de por­tais sem base cien­tí­fi­ca, posts de blog, whi­te papers sem revi­são por pares, e publi­ca­ções ante­ri­o­res a 2021. Dupli­ca­tas foram remo­vi­das para evi­tar repetições.

3. 4 Como os Dados Foram Analisados

Depois da cole­ta, os dados pas­sa­ram por uma aná­li­se temá­ti­ca de con­teú­do. O méto­do seguiu estes passos:


Lei­tu­ra Ini­ci­al: Fize­mos uma lei­tu­ra geral de todos os tex­tos esco­lhi­dos para ter uma ideia ampla do material.

Pre­pa­ra­ção Ini­ci­al: Orga­ni­za­mos os tex­tos por impor­tân­cia e tema, cri­an­do cate­go­ri­as ini­ci­ais de aná­li­se com base no que que­ría­mos descobrir.

Aná­li­se Deta­lha­da: Lemos cada tex­to com aten­ção, pro­cu­ran­do e mar­can­do par­tes impor­tan­tes sobre Indús­tria 5.0, IA, deci­sões, ges­tão estra­té­gi­ca e o Mode­lo de Negó­cio Canvas.

Inter­pre­ta­ção dos Resul­ta­dos: Jun­ta­mos os códi­gos em temas mai­o­res e cri­a­mos resu­mos para cons­truir argu­men­tos e dis­cu­tir os resul­ta­dos com base no que já se sabe. Tam­bém pro­cu­ra­mos o que fal­ta na lite­ra­tu­ra e idei­as para novas pesquisas.

A aná­li­se bus­cou iden­ti­fi­car o que está acon­te­cen­do, os pro­ble­mas, as chan­ces e o que os admi­nis­tra­do­res pre­ci­sam saber na Indús­tria 5.0. Olha­mos com cui­da­do como a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al pode ser usa­da para melho­rar as deci­sões e cri­ar mode­los de negócio.

4 ANÁLISE E AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS

Nes­ta par­te, ana­li­sa­mos pro­fun­da­men­te as des­co­ber­tas da pes­qui­sa bibli­o­grá­fi­ca, con­fron­tan­do o mate­ri­al reu­ni­do com a teo­ria exis­ten­te e os obje­ti­vos que esta­be­le­ce­mos. Explo­ra­mos aqui como a Indús­tria 5.0 e a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) estão trans­for­man­do o mun­do dos negó­ci­os, ao mes­mo tem­po que rede­fi­nem as fun­ções e as chan­ces para o gestor.


4.1 Cená­ri­os e Obs­tá­cu­los da Indús­tria 5.0 para o Gestor

A Indús­tria 5.0, no fun­do, é um movi­men­to que visa uma pro­du­ção mais foca­da no ser huma­no, sus­ten­tá­vel e adap­tá­vel, indo além da sim­ples auto­ma­ção da Indús­tria 4.0. Segun­do Okuha­ra (2024), esta nova fase requer que as empre­sas não só aper­fei­ço­em os seus pro­ces­sos, mas que tam­bém inte­grem a tec­no­lo­gia de for­ma a dar valor ao bem-estar dos fun­ci­o­ná­ri­os e ao impac­to ambi­en­tal. Para o ges­tor, isto sig­ni­fi­ca um cená­rio de mai­or com­ple­xi­da­de, onde o foco não é ape­nas a efi­ci­ên­cia, mas tam­bém a éti­ca e a res­pon­sa­bi­li­da­de social.


Os obs­tá­cu­los são mui­tos e estão liga­dos entre si:

Ges­tão de Equi­pes Mis­tas: O ges­tor ago­ra tem de lide­rar equi­pas for­ma­das por pes­so­as e sis­te­mas de IA/robôs que cola­bo­ram (cobots). Isto exi­ge novas for­mas de abor­dar a for­ma­ção, a cola­bo­ra­ção e a inte­gra­ção de dife­ren­tes “inte­li­gên­ci­as” no ambi­en­te de tra­ba­lho (SOUSA, 2024).

Adap­ta­ção a Novas Tec­no­lo­gi­as: A evo­lu­ção cons­tan­te das fer­ra­men­tas de IA e outras tec­no­lo­gi­as da Indús­tria 5.0 exi­ge uma capa­ci­da­de de apren­der sem­pre e uma adap­ta­ção rápi­da às novi­da­des. A resis­tên­cia à mudan­ça e a fal­ta de conhe­ci­men­to tec­no­ló­gi­co podem ser gran­des impedimentos.

Deci­sões Éti­cas e de Pri­va­ci­da­de: Com a IA a pro­ces­sar gran­des quan­ti­da­des de dados, o ges­tor enfren­ta dile­mas éti­cos sobre a pri­va­ci­da­de, o uso res­pon­sá­vel da tec­no­lo­gia e a redu­ção de pre­con­cei­tos nos algo­rit­mos. Garan­tir que as deci­sões toma­das com a aju­da da IA sejam jus­tas e trans­pa­ren­tes tor­na-se uma res­pon­sa­bi­li­da­de essen­ci­al (DIVIDINO, 2025).

Sus­ten­ta­bi­li­da­de e Resi­li­ên­cia: A Indús­tria 5.0 incen­ti­va a pro­cu­ra por mode­los de negó­ci­os mais eco­ló­gi­cos e sis­te­mas de pro­du­ção mais robus­tos. O ges­tor deve inte­grar estes prin­cí­pi­os nas ope­ra­ções e estra­té­gi­as, garan­tin­do que a orga­ni­za­ção con­se­gue resis­tir a cri­ses exter­nas e ope­rar de for­ma ami­ga do ambi­en­te (SEBRAE, 2023).

Ape­sar dos desa­fi­os, as opor­tu­ni­da­des são igual­men­te gran­des. A Indús­tria 5.0 per­mi­te a cri­a­ção de pro­du­tos e ser­vi­ços mui­to per­so­na­li­za­dos, a melho­ria de cadei­as de abas­te­ci­men­to com­ple­xas e o desen­vol­vi­men­to de ambi­en­tes de tra­ba­lho mais segu­ros e esti­mu­lan­tes para as pes­so­as, liber­tan­do-as de tare­fas repe­ti­ti­vas e peri­go­sas (ASTOLFI, 2024).


4.2 A IA como Fer­ra­men­ta Estra­té­gi­ca na Decisão

A Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al atua como um motor de trans­for­ma­ção na manei­ra como líde­res empre­sa­ri­ais ava­li­am e uti­li­zam dados para suas esco­lhas estra­té­gi­cas. A habi­li­da­de da IA de exa­mi­nar gran­des volu­mes de dados ins­tan­ta­ne­a­men­te e reve­lar ten­dên­ci­as sutis, que esca­pa­ri­am à per­cep­ção huma­na, ofe­re­ce uma van­ta­gem com­pe­ti­ti­va vali­o­sa.
Aná­li­se Pre­di­ti­va e Pres­cri­ti­va Aper­fei­ço­a­da: A IA capa­ci­ta os ges­to­res a irem além da sim­ples des­cri­ção de even­tos pas­sa­dos e da pre­vi­são de cená­ri­os futu­ros, per­mi­tin­do a aná­li­se pres­cri­ti­va – ou seja, a defi­ni­ção das melho­res ações a serem toma­das. Algo­rit­mos de apren­di­za­do de máqui­na, por exem­plo, podem pre­ver a pro­cu­ra por pro­du­tos com gran­de exa­ti­dão, aper­fei­ço­ar a ges­tão de esto­ques e pre­ver movi­men­tos de mer­ca­do, ori­en­tan­do as deci­sões de pro­du­ção e mar­ke­ting (VILELA, 2023).

Oti­mi­za­ção de Pro­ces­sos Deci­só­ri­os: Em áre­as como finan­ças, ope­ra­ções e ges­tão de pes­so­as, a IA con­se­gue auto­ma­ti­zar deci­sões tan­to roti­nei­ras quan­to com­ple­xas. Isso abran­ge des­de a iden­ti­fi­ca­ção de frau­des finan­cei­ras até o apri­mo­ra­men­to de rotas de entre­ga e a sele­ção de cur­rí­cu­los, libe­ran­do os ges­to­res para se dedi­ca­rem a deci­sões que deman­dam raci­o­cí­nio estra­té­gi­co, sen­si­bi­li­da­de e inovação.

Gera­ção de Insights Prá­ti­cos: A IA não se limi­ta a pro­ces­sar dados; ela gera inter­pre­ta­ções vali­o­sas. Fer­ra­men­tas de Pro­ces­sa­men­to de Lin­gua­gem Natu­ral (PLN) con­se­guem ana­li­sar gran­des quan­ti­da­des de tex­tos – rela­tó­ri­os, opi­niões de cli­en­tes, notí­ci­as do mer­ca­do – para iden­ti­fi­car sen­ti­men­tos, ten­dên­ci­as e ris­cos imi­nen­tes, ofe­re­cen­do aos ges­to­res uma visão mais com­ple­ta e con­tex­tu­a­li­za­da para a toma­da de deci­sões (SANKHYA, 2024).

Essen­ci­al­men­te, a IA aumen­ta a capa­ci­da­de de aná­li­se dos ges­to­res, for­ne­cen­do infor­ma­ções mais pre­ci­sas, rele­van­tes e abran­gen­tes, o que leva a deci­sões mais sóli­das e com mai­or pro­ba­bi­li­da­de de sucesso.


4.3 Cola­bo­ra­ção Huma­no-IA: O Novo Mode­lo de Gestão

A dis­cus­são sobre a IA e o futu­ro dos ges­to­res fre­quen­te­men­te levan­ta a ques­tão da subs­ti­tui­ção. No entan­to, as con­clu­sões de estu­dos recen­tes apon­tam que o futu­ro resi­de na cola­bo­ra­ção e na com­ple­men­ta­ção, não na com­pe­ti­ção (SOUSA, 2024). A Indús­tria 5.0 for­ta­le­ce essa visão ao colo­car as pes­so­as no cen­tro, com a IA ser­vin­do como um inten­si­fi­ca­dor das habi­li­da­des humanas.

Siner­gia de Habi­li­da­des: Enquan­to a IA se sobres­sai em velo­ci­da­de, aná­li­se de dados e raci­o­cí­nio lógi­co, as pes­so­as tra­zem cri­a­ti­vi­da­de, sen­so crí­ti­co, inte­li­gên­cia emo­ci­o­nal, intui­ção e jul­ga­men­to éti­co (Gar­cia et al., 2023). A com­bi­na­ção des­sas com­pe­tên­ci­as per­mi­te que as orga­ni­za­ções tomem deci­sões mais con­sis­ten­tes e bem-suce­di­das. Por exem­plo, a IA pode iden­ti­fi­car o melhor cami­nho para oti­mi­zar uma cadeia de supri­men­tos, mas é o ges­tor quem ava­li­a­rá se essa oti­mi­za­ção está em har­mo­nia com os valo­res de sus­ten­ta­bi­li­da­de e res­pon­sa­bi­li­da­de soci­al da empresa.

Pri­o­ri­za­ção Estra­té­gi­ca: Ao dele­gar ati­vi­da­des roti­nei­ras e de menor impac­to para a IA, o ges­tor ganha tem­po para se dedi­car ao que real­men­te impor­ta e que exi­ge habi­li­da­des úni­cas: cri­ar, pla­ne­jar, moti­var pes­so­as, cul­ti­var par­ce­ri­as e ins­pi­rar mudanças.

“Inte­li­gên­cia Poten­ci­a­li­za­da”: A ideia de inte­li­gên­cia aumen­ta­da mos­tra que a IA não vem para tomar o lugar das pes­so­as, mas para poten­ci­a­li­zar suas capa­ci­da­des, per­mi­tin­do que os admi­nis­tra­do­res exe­cu­tem tare­fas e deci­dam de for­ma mais efi­caz do que seria pos­sí­vel sem a tec­no­lo­gia. Isso cria um novo jei­to de tra­ba­lhar, onde o ges­tor se tor­na um “ana­lis­ta de infor­ma­ções”, um pen­sa­dor estra­té­gi­co que tra­ba­lha jun­to com a IA.

A par­ce­ria entre huma­nos e IA é essen­ci­al para pros­pe­rar na Indús­tria 5.0, deman­dan­do que os admi­nis­tra­do­res apren­dam a usar a tec­no­lo­gia de for­ma efi­caz, enten­den­do seus resul­ta­dos e com­bi­nan­do-os com sua pró­pria expe­ri­ên­cia e conhecimento.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O adven­to da Indús­tria 5.0 traz uma mudan­ça essen­ci­al, focan­do no papel das pes­so­as no pro­ces­so de pro­du­ção, apri­mo­ra­do pelo uso da tec­no­lo­gia. Nes­se con­tex­to, a Inte­li­gên­cia Arti­fi­ci­al (IA) atua como um apoio cru­ci­al ao ges­tor, trans­for­man­do pro­fun­da­men­te as deci­sões e as estra­té­gi­as empre­sa­ri­ais, e não como um subs­ti­tu­to. Nos­sa pes­qui­sa apon­ta que a IA, ao pro­ces­sar dados com­ple­xos e volu­mo­sos, per­mi­te que o ges­tor foque em aspec­tos mais estra­té­gi­cos, éti­cos e ino­va­do­res da gestão.

Os resul­ta­dos cen­trais des­te arti­go con­fir­mam que a par­ce­ria entre huma­nos e IA é fun­da­men­tal para uma ges­tão efi­caz, ino­va­do­ra e que res­pei­ta o meio ambi­en­te. Mos­tra­mos como a IA pode apri­mo­rar cada um dos nove ele­men­tos do Mode­lo de Negó­cio Can­vas, des­de a iden­ti­fi­ca­ção dos cli­en­tes e a cri­a­ção de ofer­tas per­so­na­li­za­das até a oti­mi­za­ção de recur­sos e o con­tro­le de gas­tos. Essa união pos­si­bi­li­ta que as empre­sas cri­em estra­té­gi­as mais fle­xí­veis e rápi­das, res­pon­den­do com mais exa­ti­dão às mudan­ças do mercado.

Para o ges­tor do futu­ro, isso sig­ni­fi­ca ter um con­jun­to vari­a­do de habi­li­da­des. Além de saber usar fer­ra­men­tas digi­tais e enten­der a IA, incluin­do seus prin­cí­pi­os e limi­tes, é essen­ci­al ter capa­ci­da­de de aná­li­se para ava­li­ar as infor­ma­ções da IA, inte­li­gên­cia emo­ci­o­nal para coor­de­nar equi­pes dife­ren­tes e cri­a­ti­vi­da­de para ino­var onde a IA ain­da não che­ga. A capa­ci­da­de de se adap­tar e apren­der sem­pre se tor­nam, assim, essen­ci­ais para uma car­rei­ra lon­ga e bem-suce­di­da na gestão.

Como este estu­do é uma aná­li­se deta­lha­da de diver­sas fon­tes, ele não apre­sen­ta tes­tes prá­ti­cos ou exem­plos que con­fir­mem a apli­ca­ção real das idei­as dis­cu­ti­das. Pes­qui­sas futu­ras pode­ri­am se con­cen­trar em exem­plos de suces­so de IA na ges­tão estra­té­gi­ca em empre­sas bra­si­lei­ras, ana­li­san­do os desa­fi­os e bene­fí­ci­os reais. Além dis­so, pes­qui­sas sobre os aspec­tos éti­cos da IA na ges­tão e o desen­vol­vi­men­to de cur­sos para ges­to­res na era da Indús­tria 5.0 seri­am impor­tan­tes para melho­rar o conhe­ci­men­to e a prá­ti­ca nes­sa área em cons­tan­te mudança.

6. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, E. V.; MARTINS, N. F. A Revo­lu­ção Indus­tri­al e a Indús­tria 4.0. Facul­da­de de Jagua­riú­na, Jagua­riú­na, 2018. Dis­po­ní­vel em: 

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