COP30 e o destino da Amazônia: Do Limite Climático à Gestão Sustentável
Resumo
A Amazônia, ecossistema vital para o equilíbrio do clima no planeta, vive um momento de grande perigo. Este artigo investiga o ponto crítico da floresta, notando o aumento das estiagens e queimadas que a levam a um limite irreversível. Defendemos que a saída para este problema complexo está em uma nova forma de cuidar da natureza de maneira sustentável. Essa forma, que une o uso inteligente dos recursos da floresta sem derrubá-la com a recuperação de áreas degradadas e uma fiscalização forte, é o único jeito de assegurar que a Amazônia continue existindo. Vemos a COP30 como o evento ideal para transformar o que a ciência já sabe em ações políticas reais, dando atenção ao dinheiro para o clima e ao fortalecimento do poder das comunidades. Finalizamos dizendo que a conferência em Belém é uma chance única de juntar ciência e política, permitindo que a Amazônia seja não só protegida, mas um exemplo de progresso forte para o mundo todo.
Palavras-Chave: Amazônia, COP30, Mudanças Climáticas, Gestão Sustentável, Resiliência.
Abstract
The Amazon, an ecosystem vital to the planet’s climate balance, is facing a moment of great danger. This text investigates the forest’s critical point, noting the increase in droughts and fires that are pushing it toward an irreversible tipping point. We argue that the solution to this complex problem lies in a new form of sustainable management. This approach, which combines the intelligent use of forest resources without felling trees with the recovery of degraded areas and strong oversight, is the only way to ensure the Amazon’s continued existence. We see COP30 as the ideal event to turn scientific knowledge into real political actions, with a focus on climate finance and strengthening community power. We conclude by stating that the conference in Belém is a unique opportunity to bring science and politics together, allowing the Amazon to be not only protected, but also a model of resilient progress for the entire world.
Keywords: Amazon, COP30, Climate Change, Sustainable Management, Resilience.
1. Introdução
A Floresta Amazônica, a maior do planeta em termos de floresta tropical, é vista no mundo todo como um ecossistema essencial para garantir a estabilidade do clima e preservar a diversidade biológica. Sua imensa área verde funciona como um depósito de carbono fundamental, que regula os ciclos de água e energia em todo o continente, impactando o clima global (NOBRE et al., 2021). Contudo, este sistema tão importante está numa situação de fragilidade sem igual, provocada por um processo de destruição acelerado que tem enfraquecido a sua capacidade de recuperação.
As alterações climáticas, que se mostram através do aumento da frequência e da intensidade de secas e de incêndios florestais, estão a levar a floresta para um limite climático crítico. Este limite, ou ponto sem retorno, tem sido muito estudado pela ciência, com modelos e pesquisas recentes a indicar que a Amazônia poderá estar perto de uma mudança irreversível para um ecossistema de savana degradada (LOVEJOY; NOBRE, 2022). Ultrapassar este ponto causaria uma libertação enorme de dióxido de carbono para a atmosfera, acelerando o aquecimento global e causando impactos desastrosos em todo o mundo (NOBRE et al., 2024).
Perante este cenário urgente, a COP30 (2025), que vai acontecer em Belém do Pará, ganha uma importância geoestratégica e histórica, unindo a agenda climática global aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A conferência vai além da diplomacia e torna-se um local onde os dados científicos e as políticas de gestão devem juntar-se para uma ação decisiva. Este artigo defende que a solução para esta crise complexa não pode ser apenas combater a destruição, mas sim criar um modelo de gestão sustentável.
Esta estratégia, que se baseia no desenvolvimento de uma bioeconomia de baixo carbono e na recuperação ecológica em grande escala, é a única forma de diminuir o perigo do limite climático e garantir a continuidade da floresta para as gerações futuras (AB’SÁBER et al., 2023). A COP30 é, assim, uma oportunidade única para transformar o conhecimento científico em acordos políticos fortes e para transformar a urgência da crise em ações concretas que estejam de acordo com os objetivos da Agenda 2030, principalmente o ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima) e o ODS 15 (Vida terrestre).
2. Fundamentação Teórica / Revisão da Literatura
A situação crítica na Amazônia é complexa e multifacetada, demandando um estudo detalhado de ideias tanto científicas quanto socioeconômicas. Este trecho examina trabalhos acadêmicos e modelos de administração com o objetivo de fortalecer a ideia de que a administração sustentável é a única maneira de impedir que a floresta chegue a um estado irreversível.
2.3 A COP30 como Ponto de Virada
A 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), que acontecerá em Belém do Pará em 2025, é um momento crucial e uma chance única para o futuro da Amazônia e, consequentemente, para o clima do planeta. A decisão de realizar o evento em Belém, bem no coração da Amazônia, faz com que a floresta deixe de ser apenas um tópico nas discussões globais e passe a ser o foco central das negociações, demandando uma mudança imediata das análises científicas para medidas políticas concretas (NOBRE et al., 2021).
A COP30 tem o potencial de ser o evento que finalmente conecta o saber científico com a determinação política, estabelecendo um sistema de gestão que viabilize a aplicação eficiente de soluções. Ao sediar a COP30, o governo brasileiro tem a chance de mostrar liderança através do exemplo, fortalecendo a fiscalização e o cumprimento das leis ambientais. A definição de objetivos nacionais de desmatamento zero, com datas e formas de acompanhamento claras, seria um forte indicativo para a comunidade internacional (NOBRE et al., 2024). O financiamento é o principal desafio para a gestão sustentável.
A COP30 pode servir como a base para colocar em prática o Artigo 6 do Acordo de Paris, que possibilita a criação de um mercado de carbono global. O Fundo Amazônia, apoiado por nações como a Noruega e a Alemanha, é um modelo de colaboração internacional que a COP30 pode impulsionar e ampliar.
3. Metodologia
Este estudo se configura como uma pesquisa de cunho bibliográfico e qualitativo. O método utilizado envolveu um exame aprofundado e crítico de diversas fontes, tanto primárias quanto secundárias, como artigos científicos avaliados por especialistas, livros, relatórios de entidades internacionais e informações oficiais de acompanhamento. Buscou-se, sobretudo, reunir o saber científico já existente acerca das alterações climáticas na Amazônia, ampliando o debate sobre a aplicação e os fundamentos de um sistema de gestão sustentável.
Os dados foram reunidos por meio de consultas em plataformas de pesquisa (como Google Scholar, Scopus e Web of Science) e em páginas de instituições de pesquisa e órgãos governamentais (como INPE e WRI). A escolha do material priorizou obras que tratassem dos seguintes temas: limites ecológicos críticos, a importância da Amazônia no clima mundial, modelos de bioeconomia e exemplos de sucesso em gestão ambiental. A análise dos dados foi interpretativa, visando criar uma história coerente que ligasse a emergência climática à ideia de um novo padrão de progresso para a Amazônia, finalizando com uma análise sobre o papel impulsionador da COP30.
4. Da Degradação ao Limite Climático
Apesar de sua notável capacidade de recuperação ao longo do tempo, a Amazônia exibe indícios evidentes de que está perdendo a habilidade de lidar com pressões ambientais, um efeito diretamente associado à crise climática mundial. Estudos científicos têm registrado de maneira consistente o aumento das temperaturas e a diminuição das chuvas, principalmente nas áreas do chamado “arco do desmatamento” (MELO; SOUZA; DIAS, 2021). Simulações climáticas e análises de dados de satélite revelam que eventos extremos, a exemplo das secas de 2010, 2015 e 2020, se tornaram mais comuns e severos, prejudicando a saúde da floresta (NOBRE et al., 2021).
O principal fator de mudança que coloca a Amazônia em risco é a relação de causa e efeito entre a destruição da floresta e as alterações climáticas. O desmatamento e as queimadas reduzem a evapotranspiração, que é o processo no qual as árvores liberam umidade na atmosfera, crucial para a formação de nuvens e chuvas (COSTA et al., 2022).
Essa redução da umidade em níveis local e regional intensifica as secas, tornando a floresta mais vulnerável a novas queimadas e à morte de árvores. Esse ciclo prejudicial leva o ecossistema a um limite crítico, onde a floresta não consegue mais se recuperar e manter seu próprio padrão de chuvas, levando a uma transformação irreversível em savana (LOVEJOY; NOBRE, 2022).
A possível transformação da Amazônia em savana gera consequências que ultrapassam seus limites geográficos. A enorme quantidade de carbono armazenada na vegetação da floresta seria liberada na atmosfera, acelerando o aquecimento global de uma forma nunca vista antes e dificultando o alcance das metas do Acordo de Paris (NOBRE et al., 2024).
Adicionalmente, a perda da floresta colocaria em risco a segurança da água e dos alimentos na América do Sul, prejudicando a agricultura e o abastecimento das cidades. Esses impactos globais confirmam que a proteção da Amazônia não é somente um problema regional, mas uma necessidade para a estabilidade do clima no planeta.
5. O Caminho para a Gestão Sustentável
A problemática ambiental na Amazônia exige uma mudança radical, indo além da simples preservação e focando em uma administração sustentável. Essa nova tática, que une a defesa do meio ambiente, o progresso econômico-social e a participação da comunidade, surge como o único caminho para a durabilidade da floresta. Este segmento explora os alicerces dessa nova perspectiva, exibindo análises de situações reais e modelos que evidenciam sua aplicabilidade em cenários tanto no Brasil quanto no mundo.
5.1 O Conceito de Gestão Sustentável: Do Discurso à Prática
Cuidar da Amazônia de forma sustentável vai além de simplesmente combater o desmatamento. É criar um sistema completo que equilibre a saúde da natureza com a qualidade de vida das pessoas que ali vivem. A ideia, defendida por (Ab’Sáber et al., 2023), se baseia em três pontos cruciais:
(1) proteger e recuperar grandes áreas de floresta;
(2) impulsionar uma economia que explore os recursos da floresta de forma consciente; e
(3) garantir que as comunidades locais se beneficiem desse desenvolvimento. Para que isso funcione, é essencial que a floresta gere renda, tornando desnecessária a exploração que causa tantos danos.
5.2 Pilares da Gestão Sustentável e Estudos de Caso
5.2.1 Desmatamento Zero e Fiscalização Eficaz
Para que qualquer plano de sustentabilidade funcione, é fundamental combater o desmatamento ilegal. O Brasil, notavelmente, criou mecanismos de vigilância de ponta que são exemplos para o resto do mundo. O sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é um dos mais completos que existem (NOBRE et al., 2021). O DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) emite alertas semanais, o que facilita uma ação rápida da fiscalização. Enquanto isso, o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) oferece estatísticas anuais consolidadas que ajudam a avaliar as políticas públicas. A força dessas ferramentas reside em sua habilidade de observar grandes áreas à distância, vencendo as dificuldades de logística da Amazônia.
Em nível mundial, a plataforma Global Forest Watch (GFW), desenvolvida pelo World Resources Institute (WRI), emprega informações de satélite e inteligência artificial para acompanhar o desmatamento no planeta. Empresas e governos utilizam a GFW para acompanhar suas redes de fornecimento e certificar-se de que produtos como a soja e o óleo de palma não tenham ligação com áreas desmatadas ilegalmente. A pressão do mercado resultante dessas plataformas impulsiona mudanças nas práticas das cadeias de produção (LOVEJOY; NOBRE, 2022).
No Brasil, a Moratória da Soja, estabelecida em 2006, é um pacto voluntário entre empresas do ramo que impede a compra de soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia após 2008. Uma pesquisa de (Barreto et al., 2021) revelou que essa ação teve um papel importante na diminuição do desmatamento relacionado à soja na região, evidenciando o impacto de acordos que envolvem diversos setores.
5.2.2 Restauração Ecológica e o Sequestro de Carbono
Reverter a deterioração de territórios devastados é indispensável para fortalecer a capacidade de recuperação das matas e para a retenção de gás carbônico. Mudar de sistemas de cultivo pontuais para modelos de grande abrangência, a exemplo da recuperação estimulada pelo reaparecimento espontâneo e o replantio por meio de sementes espalhadas (COSTA et al., 2022), é primordial para reaver ambientes ecológicos ameaçados.
A “Iniciativa 20x20”, uma ação de reabilitação na América Latina e no Caribe que almeja revitalizar 50 milhões de hectares de terras castigadas até 2030, demonstra uma parceria entre países. O Brasil, através do plano “Pacta”, é um dos participantes e possui objetivos grandiosos para ressuscitar áreas de preservação contínua e reservas instituídas por lei, auxiliando na diminuição da liberação de gases do efeito estufa.
5.2.3 A Bioeconomia da Floresta em Pé: Valorização e Inovação
A bioeconomia impulsiona o desenvolvimento sustentável, convertendo a rica biodiversidade da Amazônia em bens valiosos, protegendo a floresta. No Acre, grupos de extrativistas, a exemplo da Coopera, mostram que o uso consciente da castanha-do-pará pode trazer bons rendimentos às populações locais (SILVA et al., 2023). Essa administração feita pela comunidade preserva a floresta e assegura um pagamento justo pelo trabalho.
Grandes empresas, como L’Oréal e Natura, buscam usar ingredientes da Amazônia, açaí e buriti, na produção de cosméticos. Isso enaltece a floresta e apoia a preservação da vida selvagem. A Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) podem ser centros de bioeconomia, criando produtos de ponta com ciência e sabedoria tradicional.
5.2.4 Inclusão Social e Governança Comunitária
A preservação a longo prazo da floresta depende fundamentalmente do envolvimento de seus habitantes. Os saberes das populações originárias e dos ribeirinhos são essenciais para a organização do espaço, o reconhecimento das espécies nativas e a defesa de regiões sensíveis. Dentro das áreas indígenas, o saber ancestral orienta o uso controlado do fogo, impedindo incêndios de grandes proporções e defendendo o ecossistema.
Esses povos são os protetores legítimos da floresta e precisam ter poder nas decisões sobre o território (MELO; SOUZA; DIAS, 2021). A oficialização das terras indígenas e a instituição de Reservas Extrativistas (Resex) são cruciais para a proteção do espaço. Estudos comprovam que as áreas com direitos territoriais assegurados exibem os menores índices de desmatamento.
5.2.5 A Agenda 2030 e o Papel da Amazônia nos ODS
A forma como cuidamos da Amazônia está totalmente ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A Agenda 2030 é um projeto mundial para acabar com a pobreza e fazer o mundo crescer de forma equilibrada nos aspectos econômico, social e ambiental. A Amazônia, sendo um sistema gigante que envolve natureza e sociedade, é essencial para que vários desses objetivos se concretizem.
O ODS 13 (combate às mudanças climáticas) e o ODS 15 (proteção da vida terrestre) são os que mais se relacionam com a defesa da floresta. Acabar com o desmatamento e recuperar áreas de floresta são ações muito importantes para diminuir os efeitos das mudanças no clima, como diz o ODS 13. Proteger a grande variedade de vida e os ecossistemas da Amazônia é fundamental para o ODS 15. Cuidar da floresta de forma sustentável é um jeito prático de alcançar esses dois objetivos, garantindo que a floresta continue a absorver carbono e que a perda de espécies seja evitada.
A importância da Amazônia para a Agenda 2030 vai além das questões ambientais. A economia que usa os recursos da floresta de forma consciente, por exemplo, ajuda diretamente o ODS 8 (emprego digno e crescimento econômico), gerando trabalho e renda para as pessoas que vivem na região de maneira sustentável (SILVA et al., 2023).
Defender os direitos das terras dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, que é essencial para proteger a floresta, está de acordo com o ODS 10 (redução das desigualdades). Garantir que todos tenham acesso à água limpa e comida, algo que é afetado pela destruição da floresta, liga a Amazônia aos ODS 6 (água potável e saneamento) e ODS 2 (fome zero) (MELO; SOUZA; DIAS, 2021).
O encontro em Belém é uma chance para o Brasil mostrar que está comprometido com a Agenda 2030, juntando a proteção da Amazônia com seus planos de desenvolvimento.
Como disseram Lovejoy e Nobre (2022), o mundo espera que o Brasil apresente metas ambiciosas para diminuir a emissão de poluentes e para proteger a floresta, ajudando a alcançar as metas do Acordo de Paris e, consequentemente, os ODS. A COP30 pode ser, então, um lugar para que o governo brasileiro e outros países parceiros alinhem suas ações e investimentos com a ideia de sustentabilidade, mostrando que proteger a Amazônia não é só uma obrigação com o meio ambiente, mas uma forma de desenvolvimento que beneficia o mundo todo.
6. A COP30 como Ponto de Virada
A 30ª edição da Conferência da ONU sobre o Clima (COP30), que ocorrerá em Belém, no Pará, em 2025, é um momento crucial e oferece uma chance única para o futuro da Amazônia e, consequentemente, para o clima em todo o planeta. Ao eleger Belém, bem no meio da Amazônia, como palco desse evento, a floresta deixa de ser apenas um tópico na pauta mundial e passa a ser o foco central das discussões, demandando uma mudança rápida da teoria científica para a prática política (NOBRE et al., 2021).
6.1 Oportunidades de Governança e Alinhamento Político
A realização da COP30 oferece uma chance única de harmonizar o saber científico com as decisões políticas, estabelecendo uma estrutura de gestão que viabilize a aplicação efetiva de medidas. Ao acolher a COP30, o Brasil tem a possibilidade de mostrar liderança, aprimorando a supervisão e o cumprimento das leis ambientais. A definição de objetivos nacionais para zerar o desmatamento, com cronogramas e métodos de avaliação claros, representaria um forte indicativo para o cenário global (NOBRE et al., 2024). A eficiência da colaboração entre órgãos federais e estaduais, como o IBAMA e as secretarias estaduais de meio ambiente, é essencial para validar as iniciativas.
Em âmbito global, a prática da Costa Rica, que instituiu um modelo de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para compensar proprietários de terras pela proteção da floresta, pode inspirar a Amazônia, com ajustes às características da região. A COP30 pode impulsionar a obtenção de recursos internacionais para programas semelhantes no Brasil.
O entrave maior para a gestão sustentável é o financiamento. A COP30 pode ser o espaço para dar andamento ao Artigo 6 do Acordo de Paris, que viabiliza um mercado global de carbono. A Amazônia, com sua capacidade de absorver carbono e seus serviços ecossistêmicos, pode ser um alicerce desse mercado. O desafio é assegurar que os recursos cheguem às comunidades locais e que o financiamento não se limite a compensações, mas a projetos que incentivem a bioeconomia (LOVEJOY; NOBRE, 2022). O Fundo Amazônia, financiado por nações como Noruega e Alemanha, é um caso de cooperação internacional que a COP30 pode reativar e ampliar.
6.2 Desafios e Expectativas da Conferência
Mesmo com a expectativa positiva, a COP30 tem obstáculos importantes que podem prejudicar sua chance de ser um divisor de águas. Existe a possibilidade de a conferência virar só um acontecimento ilustrativo, com mais promessas do que resultados reais. Para impedir isso, os acordos precisam ter força de lei, com formas de fiscalizar e punir quem não cumprir. A conferência deve criar um plano bem explicado para colocar em prática o cuidado sustentável na Amazônia, como um extra à Declaração de Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra (COP26).
Por acontecer em Belém, a COP30 tem o dever de assegurar que as opiniões das comunidades tradicionais, indígenas e que vivem perto dos rios sejam consideradas e façam parte das decisões. O saber dos antepassados é crucial para cuidar e administrar a floresta (AB’SÁBER et al., 2023). O evento deve ser mais do que só deixar o pessoal participar e assegurar que os direitos sobre as terras sejam respeitados e fortalecidos. A marcação das terras indígenas e a criação de áreas protegidas são ações indispensáveis.
Para finalizar, a COP30 necessita impulsionar o dinheiro aplicado em estudo e progresso para a bioeconomia amazônica. O evento pode ser um palco para novas empresas e negócios que já lidam com produtos da floresta, mostrando que a floresta de pé vale mais do que a floresta no chão (SILVA et al., 2023). Um acordo na COP30 que crie um fundo de investimento para novas empresas de bioeconomia na Amazônia poderia ser um destaque, mudando a possibilidade em realidade econômica.
7. Resultados e Discussão
O exame das publicações científicas e das análises de casos concretos deixa clara uma coisa: a Amazônia vive um momento de fragilidade nunca visto, e se continuarmos permitindo essa destruição, ela chegará a um limite irreversível para o meio ambiente. Os dados apresentados por Nobre e sua equipe (2024), assim como por Lovejoy e Nobre (2022), mostram que o desmatamento, junto com as mudanças no clima, está acabando com a capacidade da floresta de se recuperar, fazendo com que as secas e os incêndios aconteçam com mais frequência e força.
O debate indica que todos concordam que não dá para resolver essa questão com medidas isoladas. É preciso ter uma maneira de cuidar da floresta que seja sustentável. Os casos que deram certo, como a Moratória da Soja (BARRETO et al., 2021) e os projetos de bioeconomia em cooperativas (SILVA et al., 2023), confirmam que é possível ganhar dinheiro e ajudar a sociedade ao mesmo tempo, valorizando a floresta como ela é.
Diante disso, a COP30 aparece como o resultado de tudo o que foi discutido na teoria e na prática. A conferência em Belém não é só um encontro de representantes de países, mas sim a concretização da necessidade de transformar a urgência apontada pela ciência em ações políticas. Colocar os planos de desenvolvimento em sintonia com a Agenda 2030 e os ODS, conseguir dinheiro de outros países e fazer com que as comunidades locais participem ativamente são os pontos principais para que a COP30 seja realmente um divisor de águas para a Amazônia e, consequentemente, para o clima do mundo todo.
Os resultados da pesquisa mostram que já temos as ferramentas e o conhecimento necessários para essa mudança; o problema é que falta vontade política e colocar tudo isso em prática em grande escala.
7. Conclusão
A Amazônia vive um momento decisivo. Estudos sérios indicam que a floresta está quase chegando a um ponto irreversível, resultado de desmatamento, longos períodos de seca e queimadas, que se retroalimentam. Se ultrapassarmos esse limite, não só o ecossistema será afetado, mas também teremos consequências graves no mundo todo, com o aquecimento global se intensificando e riscos à nossa água e comida.
Apesar dessa situação preocupante, ainda podemos mudar o rumo da história. Chegamos à conclusão de que a solução é adotar uma nova forma de pensar: a gestão sustentável. Isso significa fiscalizar com rigor, recuperar áreas degradadas e criar uma economia que não prejudique o meio ambiente, unindo a proteção da floresta ao bem-estar das pessoas. Experiências no Brasil e em outros países mostram que dá para ganhar dinheiro com a floresta sem derrubá-la, o que diminui a vontade de explorá-la de forma destrutiva.
A COP30, que vai acontecer em Belém, é a chance de transformar o que sabemos em ações políticas de verdade. O sucesso da conferência não será medido só pelos acordos, mas também pela capacidade de conseguir dinheiro, fortalecer o governo local e garantir que as comunidades que vivem na floresta participem das decisões. A COP30 é a oportunidade de mudar o que está acontecendo e mostrar que a Amazônia pode ser um exemplo de desenvolvimento sustentável para o mundo. Cuidar da floresta é um desafio de todos nós, e o futuro da Amazônia depende do que fizermos agora.
9. Referências Bibliográficas
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BARRETO, Paulo et al. The soy moratorium in the Amazon: An effective instrument for sustainability. Science Advances, Washington, D.C., v. 7, n. 45, p. 1–10, 2021.
COSTA, M. H. et al. O papel da floresta amazônica no ciclo da água e o impacto do desmatamento. Revista Brasileira de Meteorologia, São Paulo, v. 37, n. 2, p. 209–224, 2022.
LOVEJOY, Thomas E.; NOBRE, Carlos A. Amazon tipping point: A summary of the scientific literature. Science Advances, Washington, D.C., v. 8, n. 47, eabo1609, 2022.
MELO, C. M.; SOUZA, A. C.; DIAS, M. C. Impactos da variabilidade climática sobre os biomas brasileiros. Biodiversidade Brasileira, Brasília, DF, v. 11, n. 2, p. 113–128, 2021.
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